Investimento brasileiro no exterior cresce 44%

O estoque de investimentos brasileiros no exterior avançou 44% de dezembro de 2001 a setembro de 2005, de US$ 50 bilhões para US$ 71,6 bilhões, conforme dados apresentados ontem pelo presidente do Banco Central (BC), Henrique Meirelles. Para ele, os investimentos brasileiros no exterior são consistentes, e o fato de o País exportar capital não provoca vulnerabilidade na economia. "Do ponto de vista macroeconômico, o Brasil está preparado para esses investimentos (no exterior). Não gera vulnerabilidade", disse ele no seminário "Novas Multinacionais Brasileiras", promovido pela Fundação Getúlio Vargas (FGV), no Rio. Ao fim do encontro, em entrevista, Meirelles informou que os estudos para mudanças na legislação cambial não representam apenas reação a "fatores conjunturais", mas refletem a necessidade de modernizar as normas. Meirelles não concorda que um dos principais motivos da ida das empresas brasileiras ao exterior seja o baixo crescimento econômico do País nos últimos anos. Afirmou que, entre 2004 e 2006, o Brasil deverá crescer em média 3,7% ao ano. Segundo ele, as empresas brasileiras estão se globalizando, buscam vantagens competitivas e contornam problemas de barreiras tarifárias. "Tudo isso faz com que seja um movimento saudável e gera para o País vantagens como a remessa, por parte dessas empresas, de dividendos e royalties para a economia brasileira, ajudando a equilibrar a longo prazo, mais uma vez, o balanço de pagamentos." Meirelles diz que o número de multinacionais brasileiras tem crescido, mas o total "certamente não é um número muito grande". Segundo o presidente do BC, empresas brasileiras estão conseguindo classificações de crédito até melhores do que a do País, e isso tem "significado importante". "São as agências de rating começando a dizer que a macroeconomia brasileira já está atingindo um determinado nível em que o risco de um problema fiscal do setor público contaminar o setor privado passa a ser muito baixo." Emergente O Brasil é um dos países que mais fazem investimentos diretos no exterior, e ocupa o quarto lugar entre países em desenvolvimento, disse ontem o presidente do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES), Demian Fiocca, com base em dados da Conferência das Nações Unidas sobre o Comércio e o Desenvolvimento (Unctad). O País só perde para China (Hong Kong), Cingapura e Taiwan. Fiocca reafirmou a disposição do BNDES de apoiar a internacionalização das empresas brasileiras. "Ninguém dirá que é ruim para os Estados Unidos que a Coca-Cola seja o que é." Ele lembrou que o Brasil tem três entre as 50 maiores empresas dos países em desenvolvimento: Petrobrás, em 8.º lugar; Vale do Rio Doce em 23.º, e Gerdau em 31.º.

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