Investimento em futebol, mas apenas para estrangeiros

Os amantes do futebol que sempre sonharam em investir no seu time vão ficar com inveja. A Fator Asset Management lança nesta sexta-feira, na Suíça, um fundo de privaty equity (investimento em capital de risco) pioneiro no Brasil para investimento na formação e treinamento de jogadores de futebol no Brasil. Mas a aplicação é apenas para investidores estrangeiros. A idéia é captar US$ 30 milhões em recursos de investidores estrangeiros qualificados - a aplicação mínima é de US$ 200 mil - num fundo fechado. Segundo o responsável pela estruturação e presidente do Comitê de Investimento da Fator Asset, controladora do general partner do fundo, Venilton Tadini, já foram obtidos compromissos de investimento de US$ 10 milhões. O fundo terá prazo de existência de 12 anos, prorrogável por mais 12 anos e a expectativa de retorno oscila entre cinco ou seis anos. Para a captação dos recursos por meio da venda de ações, conta Tadini, foi criada Sport Investments SCA, SICAR (Societé d`Investissement em Capital à Risque), com sede em Luxemburgo. Esse tipo de empresa, específica para investimentos em capital de risco (venture capital e private equity), está sujeita a um regime de isenção tributária. O general partner da companhia será a FAM Sports, integralmente controlada pelo Fator Asset. Segundo Tadini, além da isenção tributária, o lançamento do fundo no exterior facilita a captação de recursos devido à maior familiaridade de investidores estrangeiros com aplicações ligadas ao futebol. Além disso, há maior visibilidade e maiores chances de valorização das ações, no caso de uma eventual abertura de capital da empresa no futuro. Ele afirma que a opção de Luxemburgo, para sediar a empresa, aconteceu porque o órgão fiscalizador do país (CSSF) é considerado forte e possui convênio com a Comissão de Valores Mobiliários (CVM) do Brasil. O custodiante é o responsável em verificar o perfil do investidor e a origem dos recursos,. Além do Comitê de Investimento do qual Tadini faz parte, foi criado também um Comitê Estratégico com a finalidade de assessorar na orientação e identificação de novas oportunidades de investimento para o projeto, integrado, entre outros, por Pelé e pelo economista Luiz Gonzaga de Mello Belluzzo. Recursos A Sport Investments SCA firmou acordo técnico e operacional para receber os jovens treinados no Brasil: o Football Club Lausanne-Sport, da suíça. Pelo acordo, os recursos obtidos com a transferência de cada jogador cedido ao Lausanne será dividido entre as partes. Segundo o comunicado divulgado, os recursos captados serão investidos no Brasil, através da subsidiária Monte Alegre Futebol SA, com sede em São Paulo, na construção do Campus Pelé em Jundiaí, na incorporação do acervo técnico do Litoral Futebol Clube que inclui todos os seus jogadores, sua marca e o direito federativo e na execução do acordo operacional com o Paulista Futebol Clube, com o objetivo de valorizar seus jogadores e aqueles que vierem a ser cedidos pelo Monte Alegre. Ainda segundo o comunicado, o Campus Pelé será um centro de formação de jogadores e treinadores com recursos tecnológicos de última geração. Tadini diz que a escolha do Paulista de Jundiaí aconteceu depois da análise de diversos times de futebol. "Eles não enfrentam conflitos internos, têm um processo ágil de decisão, pequeno número de associados, não possuem sede social e sempre enfatizaram as categorias de base (garotos não-profissionais)", diz. Tadini conta também que estudos apontaram que a maior valorização dos jogadores brasileiros ocorre quando ele sai do seu primeiro time Europeu e parte para o segundo. Por esse motivo, a estruturação da operação fez acordo com o Lauzannne, clube suíço que atualmente disputa a Challenge League (segunda divisão). O time suíço receberá os jogadores brasileiros por empréstimo, dando visibilidade aos jovens e recebendo, em troca, maior competitividade.

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