Investimentos do governo disparam no pré-eleição

Os investimentos do governo federal dispararam em agosto, atingindo o volume mais elevado do ano. Foram desembolsados R$ 6,8 bilhões, em comparação a uma média de R$ 4,7 bilhões nos meses anteriores, segundo levantamento da ONG Contas Abertas com base no Sistema Integrado de Administração Financeira do governo federal (Siafi).

LU AIKO OTTA, Estadão Conteúdo

13 de setembro de 2014 | 07h05

O volume desembolsado de janeiro a agosto é também recorde desde 2006: R$ 39,9 bilhões, o que corresponde a 47,6% dos investimento autorizados em 2014 - no ano passado, esse índice estava em 31,9%; em 2012, eram 30,4%. Os investimento realizados em agosto só se comparam com os meses de dezembro, tipicamente elevados.

"Para mim, só as eleições explicam esse movimento", disse o secretário-geral da organização, Gil Castello Branco. "Com a arrecadação ruim e as dificuldades para fechar algum superávit no fim do ano, não parece racional abrir os cofres." De fato, é possível observar comportamento semelhante em 2010. Naquele ano eleitoral, a execução dos investimentos subiu a partir de julho e se manteve elevada até o fim do ano.

A diferença é que, agora, há uma séria restrição de caixa. O aumento dos desembolsos ocorre no mesmo mês em que o governo sofreu uma frustração de receitas de pelo menos R$ 4 bilhões, segundo fontes anteciparam ao Estado. De R$ 13 bilhões esperados em razão da reabertura do programa de refinanciamento de débitos tributários (Refis), teriam ingressado de R$ 6 bilhões a R$ 9 bilhões.

Assim, esse conjunto de dados aponta para um desempenho ruim das contas públicas em agosto e coloca ainda mais em xeque a meta fiscal de 2014. Os resultados oficiais, que em geral não coincidem exatamente com os números do Siafi, serão divulgados no fim deste mês, a poucos dias das eleições. As informações são do jornal O Estado de S. Paulo.

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