Gabriela Biló/Estadão
Gabriela Biló/Estadão

Investimentos estrangeiros têm alta na Bolsa, mas cautela continua

Na avaliação de analistas, fluxo de entrada de investimentos estrangeiros pode não se sustentar devido aos cenários internacional e eleições

Fátima Laranjeira, O Estado de S.Paulo

21 de julho de 2018 | 04h00

Depois da forte saída de capital externo da Bolsa em maio e junho, que resultou na retirada por estes investidores de R$ 9,947 bilhões no primeiro semestre, os estrangeiros voltaram neste mês à B3, que registra entradas líquidas de R$ 4,5 bilhões.

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Na avaliação de analistas, porém, o fluxo pode não se sustentar devido aos cenários internacional e interno, inclusive com eleições, e pode estar ligado à busca de oportunidades, relacionada, por exemplo, às divulgações dos balanços financeiros pelas empresas, que acontece até meados de agosto.

“É sempre muito desafiador prever se os fluxos externos continuarão, já que há diferentes tipos de investidores e cada um com sua estratégia”, lembra o analista do Santander, Ricardo Peretti. Ele afirma que entre os possíveis motivos do reingresso estejam a volta do bom humor dos norte-americanos (comprovado pela alta dos índices S&P 500 e Nasdaq nas últimas semanas), a posição de muitos fundos, com recursos disponíveis depois das vendas de maio e junho, e a temporada de balanços financeiros que, na sua visão, deve ser menos danosa do que imaginado no País.

Mas, para Peretti, é de se esperar certa moderação nestes recursos externos à frente devido ao cenário eleitoral. Se o fluxo comprador permanecer, ele acredita que se concentrará nas ações de maior peso e liquidez dentro do Ibovespa, como os bancos, por exemplo. “E se o quadro eleitoral se tornar mais claro e previsível, é natural uma demanda maior sobre companhias estatais também.”

 

Já na opinião de Sergio Goldman, analista da Magliano Invest, o fluxo de capital externo não é sustentável. “O cenário internacional permanece incerto e no doméstico dúvidas em relação às eleições são grandes. Em conclusão, fluxo de estrangeiros nos parece circunstancial e não estrutural.” De qualquer maneira, diz, as ações que se beneficiam disso são as que possuem pesos altos nos índices de ações MSCI (Morgan Stanley Capital International). “É caso de bancos como Bradesco e Itaú.”

Mário Mariante, da Planner, vê um movimento natural de recomposição de portfólio após a forte queda do Ibovespa nos dois meses anteriores. Para ele, a safra de balanços é um catalisador para a retomada dos investimentos em ações. “O recesso parlamentar reduz a volatilidade com o noticiário político e o fortalecimento de uma candidatura de centro também é comemorada pelo mercado e pode nortear a continuidade dos recursos.”

Nesta sexta-feira, o Ibovespa subiu 1,40% exatamente por conta do anúncio do apoio do Centrão à candidatura de Geraldo Alckmin (PSDB). As estatais e os bancos predominaram na lista das altas da B3.

Também para Vitor Suzaki, da Lerosa Investimentos, o retorno dos estrangeiros deve ser de curto prazo. “Ainda há preocupação com acirramento das tensões comerciais, especialmente entre EUA e China, e diante de aperto monetário não só nos EUA como no Reino Unido, e os investidores novamente devem migrar para a segurança, independente do quadro eleitoral imprevisível que se aproxima.”

Já Rafael Passos, da Guide, afirma que o viés para os ativos locais ainda não é favorável. “Caso tenhamos novos ingressos de estrangeiros, empresas com risco um pouco maior de investimento, e ligados ao mercado local, tendem a se beneficiar, como as aéreas, varejistas e setores ligados a concessão e logística”, avalia.

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