Amanda Perobelli/ Reuters
Amanda Perobelli/ Reuters

Renda fixa fica mais atraente com turbulência após invasão russa à Ucrânia

Mercados emergentes, como o brasileiro, são considerados mais voláteis e veem uma fuga de capital para economias mais consolidadas, como a dos Estados Unidos

Érika Motoda, O Estado de S.Paulo

25 de fevereiro de 2022 | 05h00

A invasão da Ucrânia pela Rússia na quinta-feira, 24, aumentou o temor de investidores mundo afora. Nesse ambiente de turbulência, o primeiro instinto é se proteger, buscando posições mais seguras em títulos públicos, ouro e moedas fortes, como o dólar. E, se o dinheiro entra de um lado, é porque sai de outro. Por isso, mercados emergentes, como o brasileiro, são considerados mais voláteis e veem uma fuga de capital para economias mais consolidadas, como a dos Estados Unidos. Por aqui, a renda fixa continua muito atraente, e há oportunidades em commodities para quem aposta na renda variável

Na quinta, o dólar fechou em alta de 2,02%, cotado a R$ 5,10, enquanto o Ibovespa, principal índice da Bolsa brasileira, encerrou o pregão em baixa de 0,37%, a 111,6 mil pontos. “Temos sempre que ter ouro e dólar em momentos de estresse, porque são ativos que vão minimizar nossas perdas diante de momento de maior risco”, diz Ariane Benedito, economista da CM Capital.

O cenário macroeconômico brasileiro, no entanto, já não era o mais favorável. A consequência da invasão da Rússia à Ucrânia deve ser apenas o reforço de um quadro de estagflação

O País sofre com uma inflação alta que não deve cair muito cedo, conforme mostrou a alta de 0,99% no IPCA-15 de fevereiro. Assim, os investimentos em renda fixa mantêm sua atratividade e vêm sendo beneficiados pelos sucessivos aumentos da taxa básica de juros, a Selic

O professor de Finanças do Coppead/UFRJ Carlos Heitor Campani menciona o Tesouro IPCA+ como uma boa forma de investimento para proteger o patrimônio. “Guerra gera inflação no mundo. Se a inflação explodir, pelo menos seu investimento vai explodir junto”, diz ele. 

Uma das commodities que podem ser mais afetadas pelo conflito é o petróleo, já que a Rússia é um grande exportador mundial. O preço do barril de petróleo Brent chegou a superar os US$ 105 nesta quinta. Foi a primeira vez, desde 2014, que o preço da commodity passou dos US$ 100. Ao longo do dia, porém, a cotação retrocedeu e fechou em US$ 99,08 o barril.

“O Brasil está bem distante do conflito, mas já é afetado pelo preço do petróleo. A Petrobras segue uma política de preço dolarizada no mercado internacional. Se isso perdurar, o preço do petróleo vai subir e, consequentemente, os preços na bomba também. Afeta não só o abastecimento do meu carro, mas também o transporte em geral. O arroz que chega na nossa mesa vem por meio da rodovia”, diz Campani.

O trigo e a soja também podem ter uma disparada de preços, lembra Ariane Benedito, da CM Capital, pois são commodities bastante exportadas pela Ucrânia para o restante da Europa. 

Momentos de estresse como o atual mostram a importância de se ter investimentos diversificados. A guerra entre Ucrânia e Rússia vai se agravar? Não é possível cravar nenhuma resposta. E, para cada cenário, dizem os especialistas, o mesmo investimento pode ter êxito ou não. 

O assessor de investimentos, sócio da Ethimos e líder da área de câmbio, Lucas Brigato, indica a seguinte composição da carteira de um investidor com apetite moderado para o risco: 10% dos recursos em ações na Bolsa, 30% em títulos atrelados à inflação, de 30% a 40% em fundo de crédito privado atrelado ao CDI e 15% em títulos prefixados. 

“Assim, temos estratégias para dois cenários. Se o mercado ficar negativo, com inflação e juros altos, é bom aplicar em IPCA+ para uma estratégia de longo prazo. Por outro lado, se tivermos um movimento mais positivo da economia, com redução de juros e prefixados em mão, o investidor tem um ativo com liquidez, e a saída antecipada provê ágio”, diz. 

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