Werther Santana/ Estadão
Werther Santana/ Estadão

Guerra e incertezas favorecem renda fixa, mas investir em ações pode trazer ganhos no longo prazo

Especialistas recomendam ter uma carteira de investimentos diversificada para enfrentar a volatilidade da Bolsa

Daniela Amorim, O Estado de S.Paulo

03 de março de 2022 | 20h09

RIO -  A invasão da Ucrânia pela Rússia provocou turbulência no mercado financeiro, levando a uma migração para investimentos mais conservadores, como títulos públicos, dólar e ouro. O conflito tem potencial para deflagrar pressões inflacionárias no Brasil e no mundo, contribuindo para taxas de juros mais elevadas, o que mantém a atratividade da renda fixa

No entanto, uma carteira de investimentos que inclua renda variável é indicada para quem planeja obter ganhos mais robustos no longo prazo, lembram analistas ouvidos pelo Estadão/Broadcast.

“Num cenário de expectativas de taxa de juros mais alta, a renda fixa ganha um pouco mais de relevância na carteira do cliente, mas a gente não entende que deveria ser descartado completamente o ‘upside’ (potencial de valorização) que a renda variável pode trazer, principalmente no médio e longo prazos para o cliente que tem esse apetite por risco”, diz Igor Rongel, chefe de investimentos do C6 Bank.

No caso brasileiro, as incertezas do conflito no Leste Europeu somam-se às questões domésticas, como as eleições presidenciais deste ano e preocupações com políticas que possam afetar ainda mais a sustentabilidade das contas públicas.

“A pessoa que quer entrar na renda variável tem de entender que o curto prazo deveria ser pouco relevante para ela, ou menos relevante", ressaltou o economista-chefe do Banco Original, Marco Caruso. "Não é novidade que tem eleição, não é novidade que tem guerra, parte disso já está precificado, e é por isso que a bolsa está barata para aquele investidor que entende que o horizonte que levou ele a investimento em renda variável é mais longo."

Quando um investidor se assusta com a queda de ações diante de um choque, como o conflito na Ucrânia, e decide se desfazer de todas as suas posições, isso significa que a carteira de investimentos dele não estava adequada ao seu perfil de risco, resume Laís Costa, analista da Empiricus.

A analista da Empiricus defende que o investidor “tem que ficar confortável” com sua carteira de investimentos, para evitar comprar e vender ativos pelos motivos errados. “E nestes momentos é justamente isso. Ele vende porque a Rússia invadiu a Ucrânia, mas ele nem sabe se tem algum tipo de correlação com aquela posição. Mas, se ele faz esse tipo de decisão, significa que a alocação dele como um todo deveria ser revisada”, diz Costa.

O momento é ideal para a revisão da carteira de investimentos, dando mais espaço à renda fixa, sobretudo às modalidades atreladas à taxa de juros, mas sem abandonar o princípio fundamental da diversificação, afirmou o economista-chefe da Ativa Investimentos, Étore Sanchez.

"A renda variável sempre tem muita oportunidade. Primeiro a gente tem que ver o valor das companhias, se uma empresa está precificada onde ela deveria estar ou se está muito descontada. Fora isso, um exemplo, um ambiente com taxa de juros mais pressionada acaba favorecendo bancos inclusive”, diz Sanchez.

Para Ricardo Leite, especialista de Renda Variável da Diagrama Investimentos, os títulos de renda fixa pós-fixados são importantes para proteger contra o aumento da Selic, enquanto que os que remuneram pela inflação estão menos atraentes diante da perspectiva de arrefecimento da inflação. No entanto, ele recomenda que mesmo os investidores mais conservadores destinem 20% dos seus recursos para investimentos em ações que paguem bons dividendos.

“No caso do investidor que é um pouco mais arrojado, o que difere de quem é mais conservador é o peso que a gente coloca de renda fixa na carteira. O mais arrojado, que está disposto a tomar um pouco mais de risco, que não se importa tanto com a volatilidade da carteira, pode colocar menos em títulos de renda fixa, uns 40% ou 50%, e o restante ele pode distribuir em empresas que mostrem potencial, que possam se beneficiar do próximo ciclo de crescimento (da economia)”, afirma.

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