IOF não funcionou e não repercutirá mais, avalia economista

Para Sérgio Vale, da MB Associados, é crescente o risco do governo vir a aumentar a alíquota do tributo

Luciana Xavier e Cristina Canas, da Agência Estado,

27 de outubro de 2009 | 15h23

O dólar segue sua trajetória de queda uma semana depois da adoção do IOF de 2% sobre o capital estrangeiro que ingressa no País. Para o economista-chefe do MB Associados, Sérgio Vale, é uma mostra de que o governo se equivocou com a medida. "A medida não funcionou bem e não deve ter repercussão daqui para frente", afirmou, em entrevista ao AE Broadcast Ao Vivo.

 

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Com isso, Vale acredita que cresce o risco de o governo vir a aumentar a alíquota para conter a entrada de capitais. "Se o IOF foi um tiro no pé, aumentar a alíquota seria uma metralhadora inteira e também não resolveria. Ainda traria o risco de mudar a imagem de transparência da política econômica e isso seria prejudicial para o mercado", disse.

 

Para o economista, não há como o governo controlar capital no longo prazo. Voltar atrás e retirar o IOF não seria uma opção, porque o governo também quer aumentar a arrecadação e se o BC parasse de comprar dólares poderia haver muita volatilidade no mercado de câmbio, explicou Vale. "O BC não vai parar de enxugar o excesso de dólares no mercado", acredita.

 

Vale disse que mesmo com o IOF e com as compras do Banco Central, o dólar deve chegar "facilmente" a R$ 1,60 até o final deste ano, se o governo não adotar nenhuma medida adicional. O economista disse que o real poderá se depreciar naturalmente em dois ou três anos por conta do aumento do déficit em conta corrente, que deve ser de US$ 30 bilhões em 2010 e US$ 50 bilhões em 2011, segundo estima.

 

Ele ainda projeta que o Brasil poderá crescer 5% em 2010 e 6% em 2011 e que somente em 2011 o Banco Central poderia ter pressão de demanda que justificasse aumento da Selic. "Não há razão para o BC aumentar o juro em 2010, mas depois do tom agressivo do último relatório de inflação, eventualmente isso poderá ocorrer". Ele avalia que o IPCA ficará no centro da meta de 4,5% no ano que vem.

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