IPCA-15, Caged e exterior ruim derrubam juros longos

 Resultados de dados domésticos abaixo do previsto aceleram movimento de queda

Márcio Rodrigues, da Agência Estado,

21 de junho de 2012 | 17h01

O resultado abaixo do previsto do Cadastro Geral de Empregados e Desempregados (Caged) ajudou a acelerar o movimento de queda das taxas longas e intermediárias de juros futuros nesta quinta-feira, iniciado pela manhã com uma série de indicadores externos negativos e com a descompressão significativa dos preços apontada pelo IPCA-15 de junho. Os contratos de juros mais curtos, porém, moveram-se ao redor da estabilidade, uma vez que, segundo profissionais de renda fixa, a política monetária no curto prazo já está, em grande medida, incorporada na curva a termo.

Assim, ao término da negociação normal na BM&F, o DI janeiro de 2013 (130.440 contratos) estava em 7,72%, de 7,73% no ajuste. A taxa do contrato para janeiro de 2014 (296.965 contratos) cedia para 8,05%, de 8,08% na véspera. Entre os longos, o DI janeiro de 2017 (91.865 contratos) projetava 9,50%, de 9,61% ontem, enquanto a taxa do DI para janeiro de 2021 (8.080 contratos) recuava para 10,06%, de 10,15% no ajuste.

Por aqui, o comportamento da inflação segue avalizando a estratégia de afrouxamento monetário iniciada em agosto do ano passado. O IPCA-15 divulgado nesta quinta-feira pelo IBGE foi de 0,18%, abaixo do piso das estimativas colhidas pelo AE Projeções, de 0,20%. O índice também teve forte desaceleração ante maio, quando foi de 0,51%.

O mercado de trabalho, por sua vez, trouxe sinais divergentes, mas o peso maior para os juros recaiu sobre os dados do Caged. O saldo líquido de empregos criados com carteira assinada no Brasil foi de 139.679 em maio. O resultado veio abaixo do piso das estimativas coletadas pelo AE Projeções, que era de 150.000 vagas. Mais cedo, o IBGE informou que a taxa de desemprego em maio ficou em 5,8%, de 6% em abril. Trata-se do menor patamar para um mês de maio desde 2002. Na visão de alguns economistas, esse quadro ainda mostra que o mercado de trabalho segue no limite.

Mas a devolução de prêmios no mercado de juros teve início logo na abertura dos negócios. Durante a madrugada, os investidores tomaram conhecimento do Índice de Gerentes de Compras (PMI, na sigla em inglês) preliminar da China, medido pelo HSBC, que caiu para 48,1 em junho em comparação com a leitura final de 48,4 em maio. Trata-se do oitavo mês consecutivo em que o índice está em território de contração.

Na zona do euro, o PMI composto ficou inalterado em 46,0, o menor nível desde junho de 2009. Mas a maior economia do bloco também teve contração na atividade. O PMI composto preliminar de junho da Alemanha caiu para 48,5, de 49,3 em maio, o patamar mais baixo em três anos. Por fim, nos Estados Unidos, o PMI industrial caiu para 52,9, o nível mais baixo desde julho de 2011, de 54,0 em maio.

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