IPCA-15 pressiona, mas juros longos recuam com exterior

Indicação de aceleração da inflação foi minimizada no mercado em meio à crise na zona do euro

Fabrício de Castro, Agencia Estado

20 de julho de 2012 | 17h46

O Índice de Preços ao Consumidor Amplo-15 (IPCA-15) em julho, que veio acima do esperado pelo mercado, disparou uma pressão de alta para as taxas dos DIs na manhã desta sexta-feira. A percepção dos investidores era de que, com o aumento da inflação, será preciso elevar a Selic em algum momento no futuro. Este movimento foi contrabalançado pelo pessimismo no exterior, em meio às dúvidas sobre a recuperação econômica na zona do euro. A soma destes fatores levou a taxa do contrato futuro para janeiro de 2014 fechar em alta ante o ajuste de ontem, enquanto os vencimentos mais longos exibiram leves recuos nos prêmios. A ata do Copom, que na quinta-feira levou a ajustes de baixa, pouco influenciou os negócios hoje.

Ao término da sessão regular da BM&F, a taxa dos contratos futuros de juros com vencimento em janeiro de 2013 (422.260 contratos) marcava 7,41%, mesmo nível do ajuste de ontem. A taxa do DI para janeiro de 2014 (673.940 contratos) estava em 7,75%, ante 7,68% do ajuste anterior. Na ponta mais longa, o DI para janeiro de 2017 (93.960 contratos) tinha taxa de 8,89%, ante 8,94%, e o DI para janeiro de 2021 (4.795 contratos) marcava 9,52%, ante 9,58%.

O Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) informou que a inflação medida pelo IPCA-15 em julho foi de 0,33%, acima da taxa de 0,18% de junho. O resultado superou o teto das estimativas dos analistas consultados pelo AE Projeções, que esperavam alta de preços de 0,12% a 0,25% em julho.

De acordo com o IBGE, os grupos Alimentos e Bebidas e Despesas Pessoais foram os que apresentaram as maiores taxas de variação de preços no IPCA-15. Os alimentos passaram de uma alta de 0,66% em junho para 0,88% em julho, o equivalente a um impacto de 0,20 ponto porcentual no IPCA-15 deste mês (61% do índice). No caso de Despesas Pessoais, a taxa avançou de 0,34% para 0,92% em julho.

Para o economista-chefe da TOV Corretora, Pedro Paulo Silveira, a surpresa ficou com os alimentos, cujos preços subiram em função das dificuldades climáticas. O IBGE informou que o clima prejudicou a lavoura de produtos como o tomate (de +19,48% em junho para +29,30% em julho), a cenoura (de -1,11% para +13,63%) e a batata inglesa (de +6,70% para +11,78%). Já a alta do trigo fez a taxa do pão francês subir de +0,14% para +1,67%. "Mas o evento é sazonal", minimiza Silveira. "A questão deve ocupar espaço nas próximas semanas, mas depois haverá um efeito inverso."

Segundo Silveira, a alta de hoje da taxa do DI para janeiro de 2014 está ligada também às dificuldades, nos Estados Unidos, na safra de grãos. "O mercado faz as contas sobre o choque de grãos sobre os preços no Brasil e o que isso vai significar mais para a frente. É por isso que há alguma pressão no janeiro 2014", afirma. Os EUA estão enfrentando a pior seca dos últimos 50 anos, o que tem elevado os preços das commodities agrícolas - fenômeno que já começou a se refletir nos IGPs calculados pela Fundação Getúlio Vargas (FGV).

Este impacto, porém, é minimizado nos vencimentos mais longos, em meio à percepção de que o problema de safra será resolvido no ano que vem. Neste trecho da curva a termo, as taxas dos DIs sofreram a pressão de baixa do pessimismo externo, puxado pela Espanha. Embora os ministros de Finanças da zona do euro tenham endossado o resgate dos bancos espanhóis, a região de Valência informou que precisará de ajuda do governo central do país. Além disso, o ministro do Orçamento espanhol, Cristóbal Montoro, disse que o Produto Interno Bruto (PIB) deverá ter contração de cerca de 0,5% em 2013 - e não expansão de 0,2%, como previsto antes.

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