IPCA é destaque em semana morna

A tensão dos investidores diminuiu na semana passada, depois da reunião do Federal Reserve (Fed, o banco central americano) e da divulgação da ata da reunião do Comitê de Política Monetária (Copom) do Banco Central brasileiro que reduziu a taxa Selic de 13,25% para 13% ao ano. Esse fator, aliado a uma agenda de eventos e indicadores que não é das mais pesadas, deve fazer os próximos dias serem mais calmos para o mercado financeiro. Aqui no Brasil, destacam-se os anúncios da produção industrial de dezembro (hoje) e do Índice de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) de janeiro, na sexta-feira. O IPCA é o indicador que serve como parâmetro para as metas de inflação. A expectativa mais freqüente dos analistas é de que o índice tenha alta de 0,51%. Gabriel Goulart, analista econômico da Mercatto Gestão de Recursos, tem uma projeção inferior, de entre 0,45% e 0,47%. ?Achamos que o número pode surpreender para baixo?, afirmou. Independentemente das previsões, há consenso de que o resultado é importante porque pode dar uma idéia dos próximos passos do Banco Central (BC) na definição da taxa básica de juros. A divulgação da produção industrial trará, além do resultado de dezembro, o número fechado do ano. A aposta mais freqüente dos analistas é de uma alta de 3% no acumulado de 2006, o que corrobora uma expansão do Produto Interno Bruto (PIB) entre 2,6% e 2,8%. Nos Estados Unidos, dois indicadores chamam a atenção, ambos na quarta-feira. Um deles é a produtividade no quarto trimestre do ano passado e o outro, o custo de mão-de-obra no mesmo período. Segundo analistas, um dado é espelho do outro. Ou seja, se a produtividade sobe, o custo do trabalho cai e vice-versa. Por isso, eles são importantes porque podem revelar pressões inflacionárias. ?Hoje, há dois fatores pressionando os preços nos Estados Unidos: o consumo e os salários?, explicou Marco Maciel, economista-chefe do Banco Banif de Investimentos. ?Se os indicadores mostrarem, como se espera, um custo do trabalho mais baixo e uma produtividade mais elevada, pode-se esperar uma inflação menor nos EUA?, disse. Nesse ambiente, a tendência para os mercados é positiva. ?O comunicado do Fed na semana passada trouxe um clima de euforia cuidadosa para o mercado?, definiu Maciel. Goulart acredita que há espaço para o Índice Bovespa se valorizar de 15% a 20% no acumulado de 2007. O dólar pode continuar a derreter caso o BC não efetue compras pesadas.

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