Itália inicia maior ação legal para investigar colapso da Parmalat

Dois anos e meio depois da descoberta do escândalo contábil na Parmalat envolvendo 14 bilhões de euros em dívidas, promotores da cidade de Parma deram início à maior ação legal já vista na Itália, com o objetivo de provar as fraudes cometidas no maior caso de falência corporativa da Europa.O processo é apenas um dos diversos inquéritos existentes contra os ex-executivos e outras instituições, que são acusadas de contribuir para o endividamento da companhia. No entanto, este é o mais importante até agora porque alega concordata fraudulenta em alguns casos com associação criminal e implica em penas mais altas: de até 15 anos de prisão."Espero que isso envie uma mensagem ao mundo sobre a seriedade do julgamento", disse o advogado Antonio Tanza, um dos diversos advogados que entraram no Tribunal antes do início da audiência preliminar.Entre as 64 pessoas que foram acusadas de fraude durante as audiências fechadas realizadas na Itália estão o fundador da Parmalat e ex-executivo-chefe Calisto Tanzi (que foi forçado a renunciar enquanto a empresa entrava em concordata em dezembro de 2003) e seu braço direito e diretor financeiro do grupo, Fausto Tonna. Ambos negam as acusações.Os promotores de Parma também investigam a participação dos bancos credores da Parmalat no caso de falência. "No final do processo acredito que teremos informações suficientes para que a responsabilidade dos bancos seja reconhecida", disse Tanza, que trabalha para um grupo de consumidores representando 1.000 dos aproximadamente 35 mil a 40 mil acionistas e investidores que perderam dinheiro com o colapso da Parmalat.A imagem limpa da Parmalat como um negócio de laticínios, mesmo embora a empresa comercialize além de leite, sucos e outros bens alimentícios em 30 países, escondia uma confusa rede financeira que foi descoberta quando a companhia admitiu ter dívidas de 14 bilhões de euros, valor oito vezes maior do que o divulgado inicialmente.O processo em Parma deve ter um início lento e os acusados não são obrigados a comparecer pessoalmente. Estão programados três dias para audiências preliminares, mas oficiais do tribunal dizem que o processo pode se estender por meses com a expectativa de que alguns acusados irão buscar fechar acordo antes do julgamento - o que não deve ocorrer antes do início do outono. As informações são da agência Dow Jones.

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.