Itaú ainda espera Ibovespa a 54 mil pontos em 2007

O Superintendente de Renda Variável do Itaú, Walter Mendes, afirmou nesta quinta-feira que, apesar da volatilidade que atinge o mercado desde o final de fevereiro, o banco mantém sua estimativa de Ibovespa (principal índice da Bolsa de Valores de São Paulo) aos 54 mil pontos ao final deste ano. A estratégia de investimento, voltada para os papéis de setores mais ligados ao mercado interno, não sofreu alterações significativas. "Nossa visão do mercado não mudou com essa turbulência, uma vez que os fundamentos nacionais e internacionais não se alteraram. Esperamos que o atual problema do mercado imobiliário subprime (direcionado a clientes de maior risco) dos EUA não altere o comportamento do consumidor americano e não signifique mudança do ritmo de crescimento econômico. Logo, assim como em abril do ano passado, uma vez que essa perspectiva fique clara, o mercado deve retomar o crescimento", afirmou Mendes. O executivo apontou também que, apesar do crescimento baixo esperado para o Brasil, ele deverá ser maior neste ano que no ano passado - entre 3,5% a 4%, ante 2,9% em 2006. Além disso, afirmou Mendes, a taxa de juros continua caindo, o risco Brasil deverá ser menor e, principalmente, o crescimento de lucro das empresas de capital aberto brasileiras deve ficar entre 20% e 25% neste ano. "Essa combinação de fatores permite projetar um forte crescimento do Ibovespa neste ano, para os 54 mil pontos", disse. Como na quinta-feira o índice fechou a 43.278 pontos, o crescimento previsto é de 24,8% até o fim do ano. Quanto ao crescimento internacional, Mendes também lembrou que o banco central norte-americano previu em depoimento ao Congresso há poucos dias que o pior da crise do setor imobiliário dos EUA já teria passado e que a economia americana deveria entrar em rota de suave recuperação. "Logo, a não ser que o problema do subprime seja muito maior que o que conseguimos observar hoje, o cenário internacional e local continuam propícios para o mercado de ações", disse. O subprime, disse o superintendente do Itaú, representa 15% do crédito imobiliário americano e sempre apresentou altas taxas de inadimplência. "Os problemas de algumas dessas empresas dos quais tomamos conhecimento recentemente podem ser reflexo do pior momento do mercado imobiliário americano no terceiro trimestre do ano passado. Haveria um problema para a economia americana apenas se os bancos que financiam essas empresas cortassem suas linhas de crédito em geral em função da inadimplência das subprimes. Ainda é muito cedo para afirmar isso e parece improvável que essa redução de crédito ocorra ou seja significativa". Logo, na avaliação do profissional, o problema das subprimes deve ficar localizado e não contaminar o restante da economia. Com relação à queda da bolsa de Xangai, Mendes afirmou que a China acabou sendo um estopim para a turbulência das últimas semanas. "O mercado chinês é quase totalmente dominado pelos investidores locais e ainda pouco representativo na poupança interna do país. Logo, um problema na Bolsa da China tem pouco efeito econômico, seja naquele país, seja internacionalmente. O valor de mercado da Bolsa chinesa representa 14% do PIB, enquanto no Brasil essa relação é de 54% e nos EUA, de 126%." Mendes não classifica a turbulência atual como uma crise e destaca que o ponto principal a ser acompanhado é a incerteza quanto ao efeito da fraqueza do setor imobiliário dos EUA no crescimento da economia americana. "A diferença em relação a outros momentos de turbulência recente é que o setor imobiliário não tem sido capaz de alterar significativamente o comportamento do consumidor americano. Logo, há menor disposição dos investidores em abraçar essa tese de contaminação. Por isso há tanta volatilidade, com momentos muito positivos e muito negativos de mercado ocorrendo em curto espaço de tempo. Quando essa incerteza se dissipar, o mercado deverá retomar o curso de alta, como ocorreu em julho do ano passado", observou. Mendes também afirmou que não existe, atualmente, uma bolha de preços de ativos, mas um crescimento baseado na melhora de fundamentos, tais como o crescimento do lucro das empresas, seja nos EUA (no 4º trimestre de 2006 o crescimento médio de lucro das 500 empresas do S&P 500 foi superior a 18%), como na Europa, na Ásia e nos países emergentes. "Uma bolha se caracteriza quando os preços dos ativos estão muito superiores àqueles que os fundamentos justificariam. Uma forma de avaliar isso é a comparação de múltiplos de mercado. Os P/Ls (preços das ações sobre o lucro das respectivas empresas) estão hoje nos EUA em patamar médio histórico. Algo semelhante ocorre nos demais mercados internacionais." O profissional do Itaú destacou ainda que o investidor local está bastante disciplinado e mais racional que no passado, nesses momentos de instabilidade. "Não tivemos resgates nos nossos fundos de ações durante essa turbulência, ao contrário, houve captação de recursos."

Agencia Estado,

16 de março de 2007 | 07h00

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