Itaú eleva expectativa de investimento em crédito imobiliário no ano

Diante do que considera uma nova conjuntura do mercado imobiliário no Brasil, com crescente aumento tanto da oferta como da demanda de imóveis, o Banco Itaú lançou ontem um novo pacote de condições para o financiamento habitacional. Além disso, ampliou de R$ 1 bilhão para R$ 1,4 bilhão a expectativa de investimento no crédito imobiliário neste ano. "Elevamos o valor financiado em função da performance que obtivemos no primeiro semestre de 2006", disse o diretor de Crédito Imobiliário da instituição, Luiz Antonio Rodrigues. Segundo ele, os financiamentos realizados até o momento já somam R$ 560 milhões, ou seja, 40% de todo o volume previsto para 2006. "As alterações atuais (nas condições do crédito) visam atingir e superar a meta de financiamento de R$ 1,4 bilhão no ano", afirmou o executivo. O montante projetado para 2006 permitirá o financiamento de cerca de 18 mil unidades. Apesar de ter elevado a estimativa para o crédito imobiliário, o volume financeiro esperado para o ano é o mesmo de 2005. O Itaú destinou R$ 340 milhões para o segmento em 2003, R$ 840 milhões em 2004 e R$ 1,4 bilhão no ano passado, que foi um período de forte expansão da carteira. Portanto, a expectativa do banco é, pelo menos, repetir o desempenho de 2005. Financiamento As medidas do novo pacote de financiamento habitacional envolvem ampliação de cinco anos no prazo de financiamento, redução do valor pago como entrada na aquisição do imóvel e redução nos juros aplicados a imóveis residenciais com valor acima de R$ 350 mil ou comerciais acima de R$ 40 mil. O prazo subiu de 15 para 20 anos. "Com isso, mais de 160 mil famílias passam a ter condições de realizar um financiamento, pois, com a redução das prestações, que pode chegar a 12%, passa-se a ser exigida uma menor renda familiar para aprovação do crédito", explica Rodrigues. Em relação ao porcentual máximo de financiamento, esse subiu de 75% para 80% do valor do imóvel, em função da análise de crédito do interessado. "Essa medida amplia as condições para uma pessoa financiar sua residência ou um imóvel comercial, pois reduz o capital inicial necessário na aquisição em até 20% de seu custo, seja qual for o valor total", afirma Rodrigues. Já nos juros, o banco reduziu a taxa aplicada aos financiamentos de imóveis residenciais com valor que exceda R$ 350 mil ou que tenham valor de financiamento acima de R$ 245 mil, o que os configura como imóveis da linha de financiamento em Carteira Hipotecária. Nessa modalidade, a nova taxa caiu de 14% para 12,5% ao ano, mais correção monetária com base no índice da poupança (atualmente TR). Para financiamento de imóveis comerciais, com valor acima de R$ 40 mil, o Itaú também reduziu a taxa para 13% ao ano, em contratos de até 72 meses. Para o executivo do Itaú, os bancos estão melhorando as condições dos financiamentos da casa própria devido a várias mudanças na área regulatória. Segundo ele, as alterações que permitiram o uso da alienação fiduciária, do depósito do incontroverso, do patrimônio de afetação e das operações em Sociedade de Propósito Específico (SPE) formaram a base que estimulou o desenvolvimento desse mercado. Rodrigues lembrou que o mercado nacional tem um déficit habitacional de 6,7 milhões de residências, sendo que 84% situam-se na faixa de até três salários mínimos. "Para este conjunto de pessoas com renda inferior a três salários, a solução se dará com recursos vindos do orçamento dos municípios, Estados e governo federal", afirmou. Todavia, segundo ele, há também 11,5 milhões de pessoas que moram em casas alugadas, sendo que 35% têm renda acima de três salários mínimos, portanto, formando um grande potencial de clientes que poderão adquirir imóveis desde que a prestação seja próxima do aluguel. "Além disso, há pessoas que ganham acima de três salários mínimos com muito interesse em fazer um 'upgrade' da residência", disse.

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