Itaú prevê alta para Bolsa no ano e sugere consumo e bancos

A Bolsa de Valores de São Paulo (Bovespa) continua com tendência de alta no ano, apesar da instabilidade das últimas semanas. A opinião é do superintendente de Renda Variável do Itaú, Walter Mendes. Mesmo com essa perspectiva, ele ressalta que a queda do Ibovespa levou a empresa de administração de recursos da instituição a reduzir a projeção para o índice para o final deste ano para cerca de 42 mil pontos. A aposta inicial era de que o índice fecharia o ano em 46 mil. Para o executivo, é comum que, em fase de valorização prolongada, a Bolsa passe por períodos de oscilação brusca. Isso aconteceu em maio de 2004, entre março e maio do ano passado e agora. ?E o motivo é sempre o mesmo: o temor de perda de controle da inflação nos Estados Unidos, o que poderia provocar atuação mais rígida do Federal Reserve em relação aos juros daquele país?, afirmou. Segundo Mendes, os investidores temem que atitudes rigorosas da autoridade monetária norte-americana mudem o atual cenário de crescimento econômico global, com pouca inflação e baixa taxa de juros, responsável pelo bom desempenho dos mercados ao redor do mundo. Mendes acredita, porém, não se tratar de uma mudança de cenário. ?Encaro como um momento de ajuste de preços, que pode até ser interessante para quem quer entrar na Bolsa?, disse. Ele destacou que a economia norte-americana já começou a se desacelerar, o que diminui a pressão sobre a inflação, e que há ?muitas forças deflacionárias? no mundo. ?Entretanto, é crucial observarmos a atitude do FED nas próximas semanas?, ponderou. Diante da atual volatilidade da Bovespa, o superintendente do Itaú acredita que os setores mais atraentes são os ligados ao mercado doméstico, como de consumo e bancos, porque estão menos sujeitos às oscilações internacionais. No segmento de consumo, ele inclui as empresas de varejo, bebidas e as novas companhias, de negócios diversos, que estrearam recentemente na Bolsa. Para o especialista, os bancos são interessantes porque continuam elevando o crédito e iniciam uma atuação mais forte no financiamento imobiliário, que ainda tem grande potencial de expansão. ?A alta da inadimplência já era esperada e não preocupa, pois está totalmente sob controle?, disse. Por outro lado, os setores menos atraentes, na avaliação de Mendes, são os que dependem de preços de commodities e da demanda internacional pelos produtos, como siderurgia e mineração. Apesar de atrelado à cotação internacional, o preço do petróleo deve continuar elevado, segundo ele, o que torna interessante a posição nesse segmento. ?Há problemas geopolíticos que devem manter o produto em alta.? O superintendente do Itaú disse que a instabilidade ainda não afetou o investidor local dos fundos de investimento de varejo. Segundo ele, as carteiras do banco tiveram captação em maio, mostrando uma maturidade ?que nunca se viu? por parte dos aplicadores. O executivo acredita que as emissões de ações, porém, devem ser prejudicadas. ?Vai dar uma certa esfriada e os IPOs deverão ser adiados, porque o mercado não está com o mesmo nível de aceitação?, ressaltou.

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