Juro abre a semana perto da estabilidade, à espera de relatório de inflação

Pesquisa Focus mostrou que a projeção para o IPCA 2011 oscilou para baixo, de 4,95% para 4,94%

Patricia Lara, da Agência Estado,

27 de setembro de 2010 | 10h13

O mercado futuro de juros abriu o dia próximo da estabilidade, sem notícias que justifiquem o redimensionamento significativo das taxas projetadas nos contratos futuros de DI. Os investidores esperam extrair mais detalhes sobre a taxa de juros no País do Relatório Trimestral de Inflação do Banco Central (BC), cuja divulgação está prevista para esta semana. Na pesquisa Focus, divulgada esta manhã, as projeções para o Índice de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) em 2011 oscilaram para baixo. Os investidores também viram mais uma decisão salarial importante, a dos petroleiros, que conquistaram ganho real, a exemplo dos metalúrgicos. No exterior, as ações oscilam pouco e o foco está na demanda pelos Treasuries (títulos do Tesouro dos EUA) que serão ofertados em leilões primários nesta semana.

A pesquisa Focus mostrou que a projeção para o IPCA 2011 oscilou levemente para baixo, de 4,95% para 4,94%, embora a projeção suavizada para o índice nos 12 meses à frente tenha subido de 5,12% para 5,15%. Nos Índice Gerais de Preços (IGPs), no entanto, a revisão para níveis mais altos foi disseminada. De acordo com o levantamento, a mediana das previsões para o Índice Geral de Preços - Disponibilidade Interna (IGP-DI) no próximo ano subiu de 5,01% para 5,08%. Para o Índice Geral de Preços - Mercado (IGP-M), a expectativa avançou de 5,04% para 5,07%, ante 5,01% de um mês antes. Para 2010, as previsões também avançaram. Para o IGP-DI, a aposta subiu de 9,08% para 9,35%. Já para o IGP-M, a previsão aumentou de 9,05% para 9,20%.

Após os metalúrgicos de montadoras do ABC paulista saírem na frente com conquista de reajuste salarial com ganho real, os petroleiros do sistema Petrobras fecharam, na semana passada, o maior aumento real da história da categoria: 6,26%, mais reposição da inflação de 4,29%, em um total de 10,81%. A campanha salarial dos petroleiros também resultou em ganhos históricos para a categoria, de até 4,65% acima da inflação.

Segundo matéria do jornal O Estado de S. Paulo, nos 15 anos em que o Departamento Intersindical de Estatística e Estudos Socioeconômicos (Dieese) acompanha os resultados de acordos e convenções coletivas no País, 2010 deverá apresentar a maior quantidade de aumentos reais acima de 5%. Na semana passada, eles já somavam 17, o equivalente a 5,7% do painel de 299 negociações analisadas este ano. Os reajustes com ganho real ampliam a expectativa de aquecimento do consumo e podem trazer pressões inflacionárias internas no futuro.

Na semana, o grande destaque ficará a cargo do Relatório Trimestral de Inflação, que o BC divulga até o dia 3O. Após dar volume à discussão sobre o cenário de juro neutro menor no Brasil na ata do último encontro do Comitê de Política Monetária (Copom), o BC pode retomar o assunto no relatório. Na ata de sua última reunião, o Copom sinalizou que a avaliação pessimista sobre qual o nível de juros que faz a economia crescer no nível de seu potencial, feita por parte dos analistas de mercado, pode estar errada.

Para a autoridade monetária, os progressos econômicos obtidos pelo Brasil nos últimos anos - marcadamente na estrutura dos mercados financeiros, na redução dos prêmios de risco cambial e inflacionário e pela geração de superávits primários que permitiram a redução da dívida pública em relação ao PIB - "parecem ter determinado redução significativa da taxa neutra". Agora, o mercado quer ver mais detalhes sobre esse diagnóstico do BC.

No Brasil, às 9h49 (horário de Brasília), a taxa projetada pelo DI com vencimento em janeiro de 2012 apontava 11,53%, ante taxa de 11,54% do fechamento anterior. O contrato com vencimento em janeiro de 2013 apresentava taxa de 11,78%, ante os 11,79% do fechamento de sexta-feira.

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