Juro abre em alta atento à Bolívia e a leilões do Tesouro

O mercado de juros abriu devagar os negócio, com o juro do contrato de depósito interfinanceiro (DI) com vencimento para janeiro de 2008 registrando leve alta em relação ao fechamento de sexta-feira. A decisão da Bolívia de nacionalizar os ativos da Petrobras no país é centro das discussões nas mesas, mas o mercado não foi com toda a força precificar o risco do aumento de preços do gás. Às 10h30, o DI com vencimento em janeiro de 2008 estava a 14,64%, ante fechamento na sexta-feira a 14,62%. Pesa contra o estresse a declaração inicial da direção da Petrobras de que não há risco imediato de desabastecimento do produto. Há discussões sobre como frear o consumo de gás - a Folha de S. Paulo traz a idéia da estatal de sugerir ao governo a redução da tributação sobre a gasolina, aumentando a do GNV. E o governo tem marcada para as 11h30 uma reunião sobre o assunto entre o presidente Lula, o ministro das Minas e Energia, Silas Rondeau, o presidente da Petrobras, Sergio Gabrielli, o assessor internacional da Presidência, Marco Aurélio Garcia, e o secretário-geral do Itamaraty, Samuel Pinheiro Guimarães. O mercado de juros também teve novidade na sexta-feira e que está sendo discutida hoje nas mesas de operação. Ao final da tarde de sexta, o Tesouro divulgou seu cronograma de leilões para maio, deixando claro que pretende realmente avançar consistentemente em seu objetivo de melhorar o perfil da dívida pública. Além de não ofertar LFTs (títulos pós-fixado), como já havia sido antecipado, o Tesouro começará a colocar em seus leilões tradicionais - que ocorrerá às quintas, e não mais às terças - papéis mais longos. Em maio, serão ofertadas LTN (títulos prefixados) com vencimento em 1/1/2009 - até abril, a LTN mais longa tinha vencimento em 1/7/2008 - e NTN-F (prefixado série F) com vencimento em 2014 - o que será o papel prefixado mais longo da história. Alguns analistas lembram que a proporção do alongamento dos prefixados não é diferente da vista antes, quando os vencimentos iam se aproximando (mesmo no caso das NTN-F, um alongamento de dois anos). Entretanto, outros ponderam que, de qualquer maneira, o vencimento pesado de títulos em maio (R$ 30,8 bilhões, sendo R$ 27,9 bilhões em LFTs, concentrado no dia 17) influenciará o mercado de juros a puxar um pouco as taxas dos contratos futuros. "Não tem como não embutir prêmio na curva de juros", afirmou um operador. O IPC-S, divulgado esta manhã, subiu 0,34% na quadrissemana encerrada em 30 de abril, ante 0,24% do índice anterior, de até 22 de abril. O resultado superou o teto das estimativas do mercado(de 0,18% a 0,31%, com mediana em 0,28%). E está sendo comentado também como um dos motivos para viés de alta dos juros neste começo do dia. Na Focus, o IPCA para 2006 caiu de 4,42% para 4,36%, mas a Selic média para o ano subiu de 15,16% para 15,25%, efeito da ata mais conservadora do Copom. A projeção de Selic para junho se manteve (15%), mas subiram as previsões para julho, agosto e setembro.

Agencia Estado,

02 de maio de 2006 | 10h31

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