Thomas Peter/Reuters
Thomas Peter/Reuters

Juro baixo beneficia Alemanha, diz BCE

Respondendo às críticas do país, banco diz que manutenção de política estimula economia, reduz desemprego e pode levar inflação à meta

Dow Jones Newswires

02 de maio de 2016 | 09h08

A Alemanha perderia se o Banco Central Europeu (BCE) abandonasse sua meta de inflação, com a manutenção das taxas de juros baixas, que podem ser uma bênção, e não apenas um fardo, declarou o membro do Conselho Executivo do Banco Central Europeu (BCE) Benoît Coeuré em coluna no jornal ‘Frankfurter Allgemeine Sonntagszeitungum’.

Sem os estímulos do BCE, a recuperação da atividade econômica na região seria mais lenta, o desemprego maior e o ajuste das contas públicas mais difícil de ser atingido, até mesmo na Alemanha, disse Coeuré após semanas de críticas ao banco por parte de autoridades alemãs, incluindo o ministro de Finanças Wolfgang Schaeuble.

A inflação tem ficado perto do zero no último ano e o BCE levou sua taxa de juros para o território negativo em março, quando as previsões mostraram que o objetivo de alcançar uma inflação de 2% levaria mais alguns anos.

Os críticos alemães acusam a política de baixas taxas de juros do BCE de prejudicar os rendimentos nas contas de poupança e pensões. Coeuré rebateu, dizendo que “as pessoas não são apenas poupadoras – elas também são empregadas, contribuintes e tomadoras de empréstimos, e, como tal, estão se beneficiando do baixo nível de taxas de juro.”

Ele sublinhou ainda que são necessárias taxas de juro baixas agora “para garantir a normalização das condições econômicas, inclusive retornos mais altos para a poupança no futuro”. “Graças à melhoria da economia, estimulada não apenas pela política monetária, o rendimento real e o emprego na Alemanha têm aumentado nos últimos anos”, disse Coeuré. “Em outras palavras, precisamos de juros baixos agora para garantir a normalização das condições econômicas, incluindo retornos mais elevados sobre a poupança no futuro.”

Cenário. Na semana passada, o economista-chefe do BCE, Peter Praet, indicou que a instituição poderia levar as taxas de juros para território mais negativo, mas apenas se a perspectiva para a inflação piorar significativamente na zona do euro. Citando Praet, o jornal espanhol Expansión disse que embora o BCE tenha capacidade de adotar mais ações se necessário, é inapropriado neste momento falar sobre novos instrumentos que poderiam ser usados. 

As declarações são importantes porque Praet é considerado um dos mais fortes defensores de uma política bastante acomodatícia. Ele disse em uma entrevista em março que o BCE não havia atingido seu limite nos cortes de juros, apesar do fato de o presidente do BCE, Mario Draghi, ter dito na semana anterior que não esperava novos cortes. 

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