Juro cai após IGP-M e relatório do BC terem agradado

O mercado de juros teve uma abertura bastante positiva esta manhã no sistema eletrônico GTS da Bolsa de Mercadorias & Futuros (BM&F), dando continuidade à melhora de ontem e ainda acrescentando como bons motivos a queda do dólar neste começo de dia, o IGP-M de março (deflação de 0,23%, muito mais acentuada do que o mercado previa) e o relatório trimestral de inflação do Banco Central (BC), que trouxe recuo nas projeções inflacionárias para 2006 e probabilidades bem menores de estouro da meta. O juro do DI-janeiro/08 chegou a bater a mínima de 14,62% mais cedo, depois de fechar a quarta-feira em 14,80% (seu ajuste para a virada do dia hoje era também 14,80%). Às 10h18, a taxa projetada a partir deste vencimento estava em 14,66%. Para o IGP-M, o mercado trabalhava com previsões de baixa de 0,12% a zero, mas a deflação veio muito maior, apontando boas perspectivas para a inflação futura. Como se projetava, a continuidade no ritmo de recuo nos preços agrícolas seria a responsável principal pelo resultado do indicador. O que talvez não estivesse nas contas foi o tamanho dessa deflação: os agrícolas aceleram a queda em março para 2,36%, ante menos 0,76% em fevereiro. No relatório de inflação, a projeção do BC para a inflação medida pelo IPCA deste ano no cenário de referência (que considera as taxas de juro e câmbio na véspera do último Comitê de Política Monetária/Copom) ficou em 3,7%, ligeiramente abaixo dos 3,8% do relatório anterior. No cenário de mercado (que considera as projeções de mercado para juros e câmbio), a estimativa para o IPCA de 2006 ficou em 4,6%, abaixo dos 4,9% do relatório anterior. A probabilidade de estouro do teto da meta de inflação em 2006 caiu de 14% para 9% no cenário de referência e de 26% para 18% no cenário de mercado. Mas o ingrediente principal da melhora do mercado, segundo operadores, foi mesmo o alívio, ontem, com a questão do Banco Central, cujo presidente, Henrique Meirelles, não só vai permanecer no cargo, como também se reportará diretamente ao presidente Lula. Isso aliviou temores de que o novo ministro da Fazenda, Guido Mantega - que se manifestara diversas vezes antes contra os juros altos - possa exercer uma influência maior na política monetária, entrando em choque com a praticada até agora. Rumores sobre nova equipe econômica também agradaram. O mercado gostou dos comentários de que o diretor financeiro do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES), Carlos Kawall poderá assumir a Secretaria do Tesouro Nacional e que o secretário de Política Econômica do Ministério da Fazenda, Bernard Appy, vai permanecer no governo, podendo vir a assumir a secretaria Executiva da Fazenda, em substituição a Murilo Portugal. Lá fora, o cenário externo tranqüilo até o momento favorece esse bom comportamento dos juros.

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