Juro cai na BM&F e espera substituto de Kawall

A notícia da saída do secretário do Tesouro Nacional, Carlos Kawall, confirmada na sexta-feira passada, com o mercado financeiro em recesso, foi considerada bastante negativa pelos investidores. Mas, por ora, não deve fazer preço nos negócios. Às 10h14, o contrato de depósito interfinanceiro (DI) com vencimento em janeiro de 2008 (o mais negociado) projetava taxa de 12,35%, ante 12,37% de quinta-feira passada, na Bolsa de Mercadorias & Futuros (BM&F). A saída de Kawall amplia a preocupação com um certo relaxamento por parte do governo em relação ao compromisso fiscal - assunto, aliás, que é considerado hoje o principal risco para os próximos meses pelos profissionais de mercado. Para operadores, o fato de a exoneração de Kawall ter sido publicada somente no dia 29 de dezembro - depois, portanto, do encerramento dos negócios do ano - mostra que o governo sabia que poderia haver alguma reação negativa à notícia. O fato de o mercado norte-americano não funcionar hoje, devido ao dia nacional de luto em memória do ex-presidente Gerald R. Ford, que faleceu na semana passada, pode limitar a reação do mercado nesta terça-feira. O dia promete ser de baixa liquidez e de pouca oscilação das taxas. Mas, dizem operadores, o clima é de desconforto. "O mercado não deve estressar, mas há uma preocupação com o comportamento do governo em relação à questão fiscal, e a saída de Kawall reforça esse sentimento", afirma um profissional. Operadores observam que o comportamento dos mercados internacionais nos próximos dias será decisivo para o rumo dos negócios no Brasil. Se houver uma realização de lucros no exterior - o que seria considerado saudável, depois da forte valorização do final de 2006 -, é possível que os preços no País também sejam corrigidos. As especulações em torno do sucessor de Kawall também serão muito importantes para a definição da tendência do mercado nos próximos dias. O secretário adjunto de Kawall, Tarcísio Godoy, assumiu o cargo como interino. Mas, para o mercado, ele seria um bom substituto - e foi, inclusive, apontado por Kawall como tal. Mas há outros nomes circulando, como o do presidente do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES), Demian Fiocca, e do ex-secretário adjunto do Tesouro José Antonio Gragnani. Em tempo: o Índice de Preços ao Consumidor - Semanal (IPC-S) ficou em 0,63% na semana de 31 de dezembro, ante 0,47% na semana de 22 de dezembro, e 0,27% no fechamento do mês de novembro, segundo a Fundação Getúlio Vargas (FGV). A taxa veio bem acima das estimativas, mas não preocupa o mercado, já que o cenário de inflação segue muito tranqüilo, como confirmou a pesquisa Focus, do Banco Central, divulgada hoje.

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