Juro curto sobe e cai aposta em corte da Selic em outubro

Recentes dados positivos de atividade estão minando o espaço de afrouxamento monetário pelo BC

Márcio Rodrigues, da Agência Estado,

24 de agosto de 2012 | 17h04

A melhora da percepção dos investidores e dos analistas em relação ao comportamento da economia está, gradualmente, reduzindo as apostas sobre a continuidade do ciclo de afrouxamento monetário em outubro. Os recentes dados positivos de atividade e a pressão inflacionária estão, aos poucos, minando o espaço do Banco Central para cortar a Selic, o que gerou um movimento de alta concentrado na taxa projetada pelo DI para janeiro de 2013, que também teve forte giro de contratos, ao passo que os vencimentos mais longos cederam. Além disso, nova sinalização do presidente do Federal Reserve, Ben Bernanke, sobre mais estímulos para a economia dos EUA reduzem, por enquanto, um pouco do pessimismo sobre o comportamento futuro da atividade global.

Assim, ao término da negociação normal na BM&F, a taxa projetada pelo DI janeiro de 2013 (803.765 contratos) estava em 7,33%, de 7,31% no ajuste. Já a taxa do contrato de juro futuro para janeiro de 2014 (257.265 contratos) marcava 7,96%, idêntica a ontem. Entre os longos, o DI janeiro de 2017 (95.360 contratos) indicava mínima de 9,29%, ante 9,38% na véspera, enquanto o DI janeiro de 2021, com giro de 2.645 contratos, apontava 9,88%, de 9,97% no ajuste.

As estimativas para a taxa Selic ao fim deste ano ainda estão dispersas. Pesquisa do AE Projeções mostra que 80 de 81 instituições consultadas trabalham com a previsão de corte de 0,50 ponto porcentual da Selic na próxima semana, para 7,5% ao ano. A partir daí, no entanto, considerando uma amostragem de 74 instituições do mercado financeiro, 34 casas previram que a taxa de juros terminará 2012 na marca de 7,5%; 20 casas aguardam a Selic em 7,00% no fim do ano; 19 no nível de 7,25%; e apenas uma em 7,75% - o Banco de Ribeirão Preto, que vê o encerramento da sequência de baixas neste mês de agosto, só que em forma de queda de 0,25 ponto.

"O comunicado pós-decisão do Copom será decisivo para precificar as apostas estampadas na curva de juros. Caso o BC não sinalize de forma mais clara o fim do ciclo de cortes, setembro passa a ser um mês chave para o mercado e para a própria autoridade monetária", afirmou um operador em referência a uma série de indicadores e decisões importantes no âmbito doméstico e internacional.

Na próxima semana, o ministro da Fazenda, Guido Mantega, vai se reunir com representantes do setor automotivo para avaliar dados que subsidiarão a decisão do governo de prorrogar ou não a redução do IPI para automóveis, que vence em 31 de agosto. O benefício fiscal, anunciado no final de maio, ajudou a impulsionar as vendas do varejo e contribuiu para mitigar a inflação.

Nesta quinta-feira, a agenda local não teve dados relevantes, mas no exterior algumas notícias mexeram com os mercados, que ensaiavam mais um dia de perdas generalizadas até que Bernanke reforçou os sinais de que a autoridade monetária dos Estados Unidos está próxima de implementar novas medidas de estímulo para a economia do país. Em carta enviada ao deputado norte-americano Darrell Issa, chefe do comitê de supervisão da Câmara dos Representantes, Bernanke defendeu as ações já adotadas e disse que "há escopo para mais ações do Federal Reserve para acalmar as condições financeiras e fortalecer a recuperação". Isso mudou o humor dos investidores.

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