Juro curto sobe, mas pressão sobre taxas longas diminui

Mercado vê apostas de aperto monetário de maior duração, o que minimiza o avanço de contratos longos

Márcio Rodrigues, da Agência Estado,

22 de agosto de 2013 | 16h56

Em meio a novas intervenções do Banco Central e do Tesouro Nacional, as taxas futuras de juros de curto prazo permaneceram em alta, enquanto as longas terminaram praticamente estáveis nesta quinta-feira, 22. De acordo com profissionais da área de renda fixa, os investidores começam a trabalhar com um aperto monetário de maior duração, o que reduz a pressão sobre o trecho longo das taxas. O dólar em patamar elevado não deu trégua para o mercado, bem como os constantes rumores de um reajuste dos combustíveis.

Ao término da negociação regular na BM&FBovespa, a taxa do contrato futuro de juro janeiro de 2014 (505.365 contratos) marcava 9,28%, de 9,20% no ajuste anterior. O vencimento para janeiro de 2015 (637.890 contratos) indicava taxa de 10,59%, de 10,46% na véspera. Na ponta mais longa, o contrato para janeiro de 2017 (217.530 contratos) apontava 11,87%, ante 11,86%. O DI para janeiro de 2021 (6.870 contratos) estava em 12,18%, de 12,15% no ajuste anterior.

"A tendência de alta das taxas futuras permanece, mas o mercado está trabalhando sem saber ao certo o que vai acontecer", afirmou um operador. "De qualquer forma, os comentários e fatores conhecidos pelo mercado seguiram sugerindo avanço das taxas", completou a fonte em referência ao dólar alto, ao aumento dos juros dos Treasuries, devido à possibilidade de redução dos estímulos nos Estados Unidos, bem como aos comentários sobre reajuste da gasolina.

Apesar dos rumores, o porta-voz da Presidência da República, Thomas Traumann, negou que a presidente Dilma Rousseff tenha discutido na quarta-feira, 21, o tema com a presidente da Petrobras, Graça Foster

O mercado também passou o dia na expectativa pelo fim da reunião do Conselho Monetário Nacional (CMN), de onde se esperava alguma medida na área cambial. Antes do término do encontro, o Ministério da Fazenda informou ao Broadcast, serviço de notícias em tempo real da Agência Estado, que não estava previsto qualquer voto na área cambial.

O Banco Central voltou a atuar no câmbio, por meio de uma operação de swap cambial para rolagem de contratos e dois leilões de venda de dólares com compromisso de recompra. No fim do dia, o dólar à vista valia R$ 2,4380, com alta de 0,08%.

O Tesouro também fez nova operação extraordinária e repetiu uma estratégia adotada na semana passada. A exemplo do que fez na última quinta-feira, 15, a instituição não ofertou nesta manhã LTN com vencimento em 2017 no tradicional leilão de venda de papéis prefixados. O Tesouro deixou de ofertar ainda títulos para 2015, iniciativa em linha com o esforço de não sancionar taxas altas no mercado de juros. Na outra ponta, o Tesouro recomprou extraordinariamente LTN e NTN-F.

Com tudo isso, a pesquisa de emprego ficou em segundo plano. A taxa de desemprego registrou em julho a primeira desaceleração deste ano, segundo o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), ao ficar em 5,6%. O resultado é menor do que em junho (6%) e ficou no piso das estimativas do AE Projeções.

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