Juro dos EUA ainda causa dúvida

Diversos indicadores divulgados na semana passada confirmaram a tendência de desaceleração da economia americana. Mas as nuvens carregadas do horizonte ainda não foram totalmente dissipadas. Como vem acontecendo ultimamente, cada novo número do país pode levar os investidores a alterar rapidamente as suas posições nos mercados do mundo todo. Nesta semana, a grande expectativa não é exatamente em torno de algum índice ou termômetro da atividade econômica. O destaque, segundo analistas, é o discurso que o presidente do Federal Reserve (Fed, o banco central dos Estados Unidos), Ben Bernanke, fará no simpósio anual de dirigentes de bancos centrais e ministros das Finanças, em Jackson Hole, na sexta-feira. "Todos no mercado fazem a mesma pergunta: o que será que ele vai dizer?", explicou Alex Agostini, economista-chefe da Austin Rating. Segundo ele, a pausa no processo de elevação da taxa básica de juros nos Estados Unidos já era esperada, uma vez que as ações de política monetária naquele país são sentidas entre 18 e 24 meses depois. "Numa situação normal, os dados econômicos não deveriam provocar tanta expectativa", comentou. "O problema é que muita gente começa a levantar a hipótese de os Estados Unidos estarem entrando em recessão ou em um processo de estagflação, avaliações com as quais não concordo de forma alguma." Num relatório enviado a clientes, o Banco Santander Banespa traça panorama semelhante. "A decisão de interromper o aperto monetário é perfeitamente consistente com a forma de atuar do Fed nos últimos anos", escreveram os analistas. A conclusão do texto é que o BC americano ainda é "data-dependent", ou seja, dependente dos dados. Na agenda do país, destacam-se nesta semana os novos pedidos de auxílio-desemprego (quinta-feira), a encomenda de bens duráveis (também quinta), o desempenho do varejo (quarta) e a venda de imóveis já existentes (quarta). No Brasil, a semana é marcada pela divulgação do IPCA-15 de agosto (quarta) e pelos dados de política monetária e operações de crédito (também na quarta). O relatório do Santander alerta que os índices inflacionários devem se acelerar este mês. A projeção do banco para o IPCA-15 é de 0,3%. A expectativa para o crédito é de elevação em relação ao mês anterior. Nesse cenário, a perspectiva para a semana é positiva para os mercados de dívida externa, juros, câmbio e bolsa. "Se não fossem as atuações do BC, o dólar estaria ainda mais barato", disse Agostini. O Ibovespa, para ele, deve encerrar o ano acima de 40 mil pontos.

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