Juro fecha quase estável, de olho em dólar e Treasuries

O vencimento para janeiro de 2015, o mais negociado, indicava taxa de 10,44%, de 10,46%

Márcio Rodrigues, da Agência Estado,

16 de setembro de 2013 | 16h49

A desistência de Lawrence Summers em concorrer à presidência do Federal Reserve (Fed, o banco central dos Estados Unidos) trouxe um otimismo inicial aos mercados, fazendo juros longos e dólar caírem nesta segunda-feira, 16. Mas o quadro foi perdendo fôlego na medida em que o nome de Donald Kohn, ex-vice-presidente do Fed, também foi sendo considerado como um dos possíveis substitutos de Ben Bernanke. O dólar voltou a ganhar um pouco de força, bem como os juros dos Treasuries, títulos da dívida do Tesouro dos EUA. Kohn tem uma visão mais dura em relação às políticas acomodatícias. Além disso, a cautela em relação ao encontro de política monetária do Fed desta semana, quando a redução dos estímulos pode ser iniciada, permeou os negócios.

As taxas de juros curtas, por outro lado, mostraram resistência desde o começo do dia, uma vez que o IGP-10 de setembro foi mais um índice a ficar acima do consenso do mercado, pressionado pelo câmbio. Além disso, esse trecho da curva segue travado pelos investidores em mais duas elevações de 0,50 ponto porcentual da Selic, com os agentes à espera de uma sinalização do Banco Central quanto à condução da política monetária.

Ao término da negociação regular na BM&FBovespa, a taxa do contrato futuro de juro para janeiro de 2014 (43.070 contratos) marcava 9,28%, igual ao ajuste anterior. O vencimento para janeiro de 2015 (178.860 contratos) indicava taxa de 10,44%, de 10,46% na sexta-feira e 10,33% na mínima do dia. Na ponta mais longa, o contrato para janeiro de 2017 (91.370 contratos) apontava máxima de 11,70%, de 11,69% no ajuste anterior e de 11,53% na mínima. A taxa do DI para janeiro de 2021 (apenas 3.905 contratos) estava na máxima de 12,10%, igual à sexta-feira e ante 11,94% na mínima da sessão.

"A especulação desse novo nome para o Fed, que seria mais conservador no que diz respeito à política monetária, ajudou os juros a mudar de direção", afirmou o estrategista-chefe do Banco Mizuho, Luciano Rostagno, em referência a Donald Kohn. "E os juros mais curtos estão engessados até que o BC sinalize algo diferente do que mercado espera", completou, citando os recentes efeito do câmbio nos preços atacadistas.

A Fundação Getulio Vargas (FGV) informou que a inflação medida pelo Índice Geral de Preços - 10 (IGP-10) subiu 1,05% em setembro, após avançar 0,15% em agosto. O resultado ficou dentro do intervalo das previsões dos analistas ouvidos pelo AE Projeções, mas acima da mediana de 0,93%.

O exterior, no entanto, ditou o ritmo da maior parte dos mercados, ainda mais nesta semana de decisão do Fed. O dólar no balcão chegou a tocar na mínima de R$ 2,25, em linha com o cenário externo e em meio às intervenções do Banco Central. A queda, contudo, perdeu fôlego e a divisa terminou a R$ 2,277, com leve baixa de 0,18%. A cautela com o nome de Kohn, que afirmou que políticas acomodatícias por um logo período são um risco para o sistema, e com a reunião do Fed, na quarta-feira, 18, explica o quadro.

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