Juro futuro abre em queda, com inflação baixa

O mercado de juros abriu o dia na continuidade discreta do movimento positivo da última sexta-feira, quando, na contramão da Bolsa e do dólar (que pioraram ante um baixo número de vagas de trabalho criadas nos EUA e acompanhado por pressões inflacionárias), conseguiu se sustentar no otimismo. Na abertura, o juro do contrato de depósito interfinanceiro (DI) com vencimento em janeiro de 2008, o mais negociado, estava em 14,83% ao ano, ante fechamento na sexta-feira a 14,86% ao ano. Na semana passada, este comportamento foi ancorado sobretudo na deflação do IPCA de junho (-0,21%), mais intensa do que a esperada, e com núcleos do índice abaixo das estimativas. Por conta disso, era esperada uma revisão das expectativas para o IPCA na pesquisa Focus - com projeções do mercado - divulgada hoje e isso foi confirmado: a mediana das estimativas para o IPCA de 2006 caiu de 3,98% para 3,81% e, no Top 5 (instituições que mais acertam na projeção desse índice), caiu de 3,80% para 3,69%, para o médio prazo. Um destaque na Focus de hoje foi a queda, de 14,38% para 14,25%, na expectativa para a taxa de juros básica da economia (Selic) ao final do ano. Esta mudança reflete a briga atual no contrato futuro de DI. O mercado conta, consensualmente, com mais uma queda de 0,50 ponto porcentual na Selic na semana que vem, na reunião do Comitê de Política Monetária (Copom) dos dias 18 e 19, mas ainda não fechou consenso em torno do tamanho da queda da reunião seguinte (agosto). Pela Focus de hoje, que manteve as projeções de Selic a 14,75% em julho e 14,50% em agosto (a Selic atual é de 15,25%), o Copom faria um corte de 0,50 pp agora em julho (para 14,75%) e um corte seguinte de 0,25 pp em agosto (para 14,50%). Restaria portanto 0,25 pp para ser cortado até a Selic chegar a 14,25% (projeção para o ano) e ficar congelada nisso até dezembro. Mas, no mercado, há quem fale em dois cortes seguidos de 0,50 pp e ainda mais um de 0,25 pp, com a possibilidade de a Selic chegar ao final do ano em 14%. É a principal briga em curso. Lá fora, o quadro inicial desta segunda-feira favorece a continuidade do comportamento positivo dos juros. Os contratos futuros em Nova York estão em recuperação, depois das quedas de sexta-feira, e a agenda é fraca.

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.