Juro futuro abre em queda, mas Copom não entusiasma

Os juros futuros abriram o pregão viva-voz na Bolsa de Mercadorias & Futuros em queda, projetando taxa de 13,28% ao ano nos contratos de depósitos interfinanceiros (DI) com vencimento em janeiro de 2008 (ontem a taxa estava em 13,31%). Apesar da reunião do Comitê de Política Monetária (Copom) do Banco Central hoje, que vai decidir a taxa Selic (juro básico da economia) para os próximos 40 dias, o que deve determinar o rumo dos negócios com DIs futuros é mais uma vez o cenário externo. O índice de preços ao consumidor norte-americano, o CPI (na sigla em inglês), que gerou tanta ansiedade ontem, veio bem em setembro e deve provocar recuperação dos mercados. No caso dos juros, as taxas negociadas no pregão eletrônico já começaram a devolver a alta registrada ontem. "O PPI (índice de preços ao produtor) de ontem gerou uma expectativa grande com o CPI, que potencializou uma realização de lucros no mercado de juros", explica um operador. "Hoje, o CPI veio muito bem, afastou temores com inflação nos EUA e o mercado deve devolver a piora de ontem", acrescenta. A inflação nos EUA caiu 0,5% em setembro, mais do que a previsão do mercado, de queda de 0,3%. Já o núcleo, que exclui os preços de alimentos e energia, subiu 0,2%, dentro do esperado. O resultado foi considerado positivo pelos profissionais, inclusive para o mercado de juros. Internamente, o evento mais importante do dia, a reunião do Copom, não provoca emoção. O mercado está convencido de que a taxa Selic será reduzida hoje em 0,5 ponto porcentual e colocou essa idéia totalmente no preço. Dessa forma, profissionais não enxergam espaço para um movimento de última hora, que influencie a curva de juros. "Pode até haver algum player doando recursos, mas não deve ser nada parecido com o que aconteceu nas reuniões anteriores, quando o mercado enxergava espaço para uma decisão diferente do que a precificada", diz um operador. "Desta vez, o mercado não vê argumentos nem para um corte de 0,25 ponto nem para 0,75 ponto", afirma outro profissional. Assim, a partir de amanhã e até o final de novembro o juro básico deve ficar em 13,75% ao ano.

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