Juro futuro amplia cautela e fecha em alta na BM&F

Em janeiro, o governo havia isentado a cobrança de IOF para as operações de curto prazo de títulos privados, permanecendo apenas para os títulos públicos

Denise Abarca, da Agência Estado ,

24 de maio de 2011 | 17h26

Os juros futuros, que começaram a tarde perto da estabilidade, apresentaram trajetória firme de alta na última meia hora da negociação regular na Bolsa de Mercadorias & Futuros (BM&F), quando as projeções renovaram as máximas do dia e alguns vencimentos de depósito interfinanceiro (DI) romperam níveis importantes de resistência. Sem encontrar uma explicação clara que detonasse o movimento, analistas divagaram sobre um leque de possíveis fatores a puxar para cima as taxas, desde um efeito retardado da divulgação da retomada da cobrança de IOF para títulos privados de curto prazo, passando pelo avanço das commodities no exterior e até os desdobramentos das denúncias contra o ministro da Casa Civil, Antonio Palocci.

Ao término da negociação normal da BM&F, o DI com vencimento em janeiro de 2017 (30.375 contratos negociados) projetava taxa de 12,45% ao ano, de 12,37% ontem, enquanto o DI de janeiro de 2021 (9.820 contratos) subia de 12,27% para 12,35% ao ano. O DI de janeiro de 2013 (193.880 contratos negociados) avançava para 12,60% ao ano, rompendo a resistência de 12,58%, ante 12,54% ontem. A projeção do DI de janeiro de 2012 (359.980 contratos) avançava de 12,31% para 12,33% ao ano.

Até o meio da tarde, o mercado havia absorvido sem traumas a informação de que o governo voltará a cobrar IOF para resgates de operações de renda fixa antes de 30 dias, inclusive CDBs, mas alguns profissionais de renda fixa acreditam que isso possa ter pesado na formação de posições no fim do dia.

Decreto publicado hoje no Diário Oficial retoma a cobrança para essas aplicações, que era feita até o dia 31 de dezembro. Em janeiro, o governo havia isentado a cobrança de IOF para as operações de curto prazo de títulos privados, permanecendo apenas para os títulos públicos. Mas agora o governo voltou atrás, sem detalhar os motivos da retomada da cobrança.

Causou estranhamento o fato de o presidente do Banco Central, Alexandre Tombini, ter evitado comentar sobre o decreto. Indagado mais de uma vez pela Agência Estado sobre se era uma medida macroprudencial, Tombini limitou-se a dizer: "estamos vendo, estamos vendo", durante abertura de seminário em Brasília.

O mercado também, segundo analistas, estaria especulando sobre possíveis consequências das denúncias contra o ministro Palocci, sobre o qual são cobradas explicações para justificar o crescimento de seu patrimônio nos últimos anos. A oposição quer que o ministro se explique no Senado, mas a base aliada não quer permitir a convocação.

No exterior, os preços das commodities inverteram o comportamento de queda da véspera e subiram, tanto metais quanto matérias-primas agrícolas e o petróleo. O contrato futuro de petróleo com vencimento em julho negociado na Bolsa Mercantil de Nova York (Nymex) subiu 1,93% para US$ 99,59 o barril.

Tudo o que sabemos sobre:
juro futuroIOFDIBM&F

Encontrou algum erro? Entre em contato

Tendências:

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.