Juro futuro cai, mas ata do Fed ainda causa incerteza

Depois da ata do Comitê de Mercado Aberto (Fomc) do Federal Reserve (Fed, o banco central dos Estados Unidos) divulgada ontem, os mercados entenderam que o cenário até a próxima reunião do BC norte-americano, ao final deste mês, tem grande possibilidade de continuar incerto, sujeito a volatilidade, dependendo dos indicadores econômicos que forem divulgados até lá. A ata deu margem a interpretações de que tanto o Fomc pode parar de subir os juros, quanto prosseguir na alta e mostrou um debate apurado sobre os riscos inflacionários. Portanto, são estes riscos que serão monitorados e, eventualmente, poderão provocar volatilidade nos negócios. Hoje tem o teste do ISM (que divulga o índice de atividade nacional dos gerentes de compras de maio) às 11 horas. E amanhã tem o payroll (vagas criadas nos EUA) de maio. O componente de salários do relatório será olhado com máxima atenção. O Comitê de Política Monetária (Copom), pelo menos, não ofereceu ao mercado doméstico nenhuma razão pra nervosismo. Na sua decisão da noite de ontem, o Copom fez exatamente o que o mercado esperava dele: reduziu a taxa Selic em 0,50 ponto porcentual, para 15,25%, por unanimidade (o placar da votação era um dos focos de atenção) e trouxe um comunicado idêntico ao da reunião anterior, sem qualquer vírgula que pudesse ser interpretada como nova sinalização. Pela manhã, a divulgação do número de pedidos de auxílio-desemprego feitos na semana passada nos Estados Unidos levou os índices futuros de Wall Street à alta, invertendo direção anterior. O número subiu 7 mil na semana que terminou em 27 de maio, o nível mais elevado desde outubro do ano passado. O dado norte-americano aliviou receios de pressão inflacionária e permitiu uma abertura melhor para os juros na Bolsa de Mercadorias & Futuros (BM&F). O mercado de juros mostra a taxa do depósito interfinanceiro (DI) com vencimento em janeiro de 2008 (o mais negociado) cedendo para 15,84%, ante fechamento ontem a 15,95%. Também divulgado nesta manhã, o IPC-S de até 31 de maio trouxe deflação de 0,19% (o anterior registrara alta de 0,01%). A taxa anunciada pela FGV esta manhã foi a menor registrada pelo indicador desde a segunda semana de setembro de 2005. A queda foi causada principalmente pela intensificação na deflação do grupo Alimentação (de -0,29% para -0,94%). É também uma boa notícia.

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