Juro futuro curto sobe em manhã de poucos negócios

Os juros futuros, sobretudo de curto prazo, iniciaram esta segunda-feira, 22, em alta, apesar das revisões em baixa nas projeções de inflação contidas no boletim Focus e da queda na confiança da indústria em julho. As taxas futuras refletem apostas de alta de 0,50 ponto porcentual da Selic para conter a inflação, após o presidente do BC, Alexandre Tombini, afirmar em entrevista ao jornal o Estado de S.Paulo de que "o Banco Central tem a missão de trazer a inflação para a meta e é isso que estamos fazendo".

RENATA PEDINI, Agencia Estado

22 de julho de 2013 | 10h50

Às 10h30, na BM&FBovespa, o contrato de Depósito Interfinanceiro (DI) com vencimento em janeiro de 2014 tinha taxa de 8,76%, na mínima, ante 8,74% no ajuste de sexta-feira. O contrato de DI com vencimento em janeiro de 2015 apontava 9,40%, na máxima, ante 9,35% na sexta-feira. O DI para janeiro de 2017 tinha taxa de 10,39%, de 10,37% no ajuste.

Para um operador, "Tombini reitera o cenário de pelo menos mais uma alta de 50 pontos-base da Selic, talvez mais duas, então os agentes ''tomam'' taxa por causa disso". "Mas o volume é fraco", acrescenta, o que tende a causar distorções.

Já o estrategista-chefe do banco WestLB, Luciano Rostagno, relaciona as afirmações de Tombini às projeções de inflação no Focus para justificar a alta dos DIs de curto prazo. "Na Focus, a projeção para o IPCA de 2014 está em 5,87% e, de 2013, em 5,75%, enquanto a Selic terminaria este ano em 9,25% ao ano. O juro básico precisaria estar acima de 9,25% para que a inflação em 2014 fique abaixo dos 5,75% previstos para 2013 e isso traz pressão aos juros curtos", avalia.

A previsão do mercado financeiro para a inflação oficial em 2013 caiu de 5,80% para 5,75%, de acordo com o boletim Focus. Para 2014, recuou de 5,90% para 5,87%. Quanto à Selic, a previsão para o fim de 2013 foi mantida em 9,25% e, para 2014, recuou de 9,50% para 9,38%.

O mercado futuro de juros também aguarda apresentação, às 15 horas, do Relatório de Receitas e Despesas Primárias. A expectativa é que seja anunciado um novo corte de gastos no Orçamento deste ano, além de uma reprogramação de receitas e despesas para 2013, considerando a evolução da arrecadação e a revisão para baixo da previsão de crescimento da economia, de 3,5% para 3%. O ajuste tem de ser feito para garantir a meta de superávit primário de 2,3% do Produto Interno Bruto (PIB).

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