Juro futuro fecha em alta, com Fed e tensão política

O comunicado do Federal Reserve (Fed, banco central dos EUA) ampliou a alta de hoje dos juros futuros, que haviam definido essa tendência por causa da tensão política no Brasil. O contrato de depósito interfinanceiro (DI) com vencimento em janeiro de 2008, o mais negociado na Bolsa de Mercadorias & Futuros (BM&F), terminou projetando taxa de 13,71% ao ano, com alta de 0,44%. Ontem, este mesmo contrato encerrou o dia a 13,65% ao ano. O banco central norte-americano divulgou esta tarde comunicado anunciando a manutenção da taxa de juros dos EUA em 5,25% ao ano, o que já era esperado pelo mercado. Por outro lado, o Fed acredita que ainda há risco de inflação, e o mercado teme um "pouso forçado" da economia norte-americana. Esse cenário garantiu a tendência de alta nos juros. Mais cedo, a velocidade da deterioração do quadro político começava a preocupar os mercados financeiros. Hoje, chamou atenção o volume de negócios registrados no contrato mais líquido. Segundo operadores, não se trata de nervosismo. Apenas um motivo a mais para os operadores - especialmente os estrangeiros - reduzirem posições vendidas em juros, depois de tantos dias com queda de taxa. As denúncias de que assessores do presidente Lula teriam montado e tentado comercializar com veículos de comunicação um dossiê contra tucanos vêm sendo acompanhadas com atenção desde ontem. Mas, hoje, pesou a percepção de que o caso ganha contornos mais amplos. As denúncias já envolvem agora o presidente do partido, Ricardo Berzoini, e os coordenadores da campanha de Lula à reeleição, Oswaldo Barjas e Jorge Lorenzetti. O que preocupa o mercado neste momento é que a piora do ambiente afete a força política de um eventual segundo Governo Lula, sobretudo na questão da aprovação das reformas.

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