Juro futuro fica estável à espera da reunião do Copom

Motivo da contenção foram as expectativas sobre o tom do comunicado que o Copom divulgará amanhã com a definição da taxa Selic

Rosangela Dolis, da Agência Estado ,

19 de julho de 2011 | 16h47

Não faltaram novidades no front externo e interno hoje com potencial para provocar movimentos nas taxas de juros projetadas nos contratos futuros de depósito interfinanceiro (DI) negociados na Bolsa de Mercadorias & Futuros (BM&F), mas os juros apresentaram oscilações pequenas, próximas da estabilidade. O motivo da contenção foram as expectativas sobre o tom do comunicado que o Comitê de Política Monetária (Copom) do Banco Central divulgará amanhã com a definição da taxa Selic (juro básico da economia brasileira). O mercado dá como certa a elevação de 0,25 ponto porcentual da taxa Selic amanhã, para 12,50% ao ano, mas está dividido sobre nova elevação de 0,25 ponto em agosto. O tom do comunicado - leia-se se o documento manterá ou não a expressão "por um período suficientemente prolongado" para definir o ciclo de aperto monetário - é que deverá direcionar as novas expectativas.

Ao término da negociação normal na BM&F, a projeção do DI com vencimento em janeiro de 2012 (277.735 contratos negociados hoje) cedeu para 12,46% ao ano, de 12,47% ontem, e o DI de janeiro de 2013 (146.050 contratos) apontava 12,63% ao ano, ante 12,64% no ajuste de ontem. Entre os vencimentos longos, o DI de janeiro de 2017 (16.800 contratos) caía de 12,46% para 12,44% ao ano e o DI de janeiro de 2021 (615 contratos), de 12,29% para 12,27% ao ano.

No exterior, predominou o otimismo, com balanços favoráveis de empresas europeias e norte-americanas, crescimento de 14,6% em junho ante maio do número de novas construções residenciais nos Estados Unidos (acima das expectativas de 2% dos economistas) e esperanças de uma solução para a crise da dívida grega na reunião de lideranças da zona do euro na quinta-feira.

A falta de uma definição em torno da elevação do teto do endividamento dos Estados Unidos é observada pelos investidores, mas "uma moratória não está no cenário", disse um analista. "É claro que a indefinição acrescenta nervosismo aos negócios, mas não faz preço, a aposta é que no final haverá acordo entre o governo e o Congresso e não ocorram atrasos de pagamento por parte do governo ", acrescentou.

Aqui, o mercado se viu diante de dados contraditórios. De um lado, a Fundação Getúlio Vargas (FGV) divulgou que a segunda prévia do Índice Geral de Preços - Mercado (IGP-M) de julho repetiu deflação de 0,21% da mesma prévia de junho e o Ministério do Trabalho divulgou dados do Cadastro Geral de Empregados e Desempregados (Caged), que mostrou criação de 215.393 vagas formais de trabalho em junho, pouco abaixo do número com o qual o mercado trabalhava, de criação em torno de 227 mil vagas. Por outro lado, o IBGE revelou que o mercado de trabalho continua vigoroso, com queda da taxa de desemprego e alta do rendimento médio real em junho, e a Receita Federal informou arrecadação de impostos e contribuições recorde no primeiro semestre deste ano.

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