Juro futuro recua, aguardando decisão do BC americano

O mercado de juros brasileiro deve operar olhando para o exterior, mas retraído, repetindo a praxe das segundas-feiras, quando a liquidez costuma ser fraca. Às 10h18, o contrato de depósito interfinanceiro (DI) com vencimento para janeiro de 2008, o mais negociado na Bolsa de Mercadorias & Futuros (BM&F) recuava e estava a 14,52% ao ano. Na sexta-feira, este mesmo contrato terminou o dia projetando taxa de 14,54% ao ano. O pano de fundo dos mercados hoje é a espera pela decisão do Comitê de Mercado Aberto (Fomc, na sigla em inglês) do Federal Reserve (Fed, banco central dos Estados Unidos) amanhã, sobre os juros norte-americanos. Prevalece a expectativa de pausa no ciclo de alta dos juros, mas há o receio de que a mesma desaceleração econômica que alimenta esta previsão traga consigo um freio mais forte do que o desejado na economia. O comunicado do Fomc, portanto, cresce em importância em meio a esses temores. Além disso, a preocupação dos investidores é com a alta acentuada do petróleo, em função da interrupção das atividades de um dos mais importantes campos de exploração da commodity do Alasca e das tensões no Oriente Médio. O contrato do tipo Brent para setembro subia 1,40%, a US$ 77,24 por barril, após ter atingido US$ 77,73, mais cedo, na ICE Futures Exchange, ex-IPE, em Londres. Na Bolsa Mercantil de Nova York (Nymex) eletrônica, o contrato para setembro subia 1,93%, para US$ 76,21 por barril, segundo cotações registradas por volta das 8h30 (de Brasília). No Brasil, a pesquisa semanal Focus do Banco Central (BC) veio neutra, sendo que o dado mais relevante foi o recuo da mediana das projeções de crescimento da produção industrial, de 4,15% para 4%. É resultado da surpresa com a queda da produção industrial divulgada na sexta-feira passada. A produção industrial brasileira recuou 1,7% em junho na comparação com maio, quando as previsões mais pessimistas eram de recuo de -1,2%. Uma notícia positiva na Focus, quando se abre a pesquisa de mercado, é a nova baixa da média das projeções para o IPCA de 2007. De acordo com o site do BC (www.bc.gov.br), a média caiu para 4,47% ante 4,48% verificada na segunda-feira da semana passada. Na realidade, o recuo foi registrado no dia 1º deste mês, mas só hoje o site trouxe o comportamento das estimativas da semana anterior. Mesmo sendo uma queda pequena, ela é importante para identificar que o movimento dos ajustes das estimativas do mercado financeiro para a inflação do ano que vem é de baixa, ainda que a mediana tenha se mantido pela 51ª semana consecutiva em 4,5%, o centro da meta do período.

Agencia Estado,

07 de agosto de 2006 | 10h24

Tudo o que sabemos sobre:
finanças

Encontrou algum erro? Entre em contato

Tendências:

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.