Juro futuro recua, devolvendo excesso de cautela

O mercado de juros começou a segunda-feira ajustando para baixo as taxas projetadas pelos contratos futuros de DI (depósito interfinanceiro) negociados na Bolsa de Mercadorias & Futuros (BM&F), às quais tinha sido incorporado na sexta-feira o chamado "hedge Palocci", em razão do que poderia ser publicado pelas revistas semanais. As reportagens publicadas no final de semana não estão sendo consideradas bombásticas pelo mercado sobre as denúncias que envolvem o ministro da Fazenda, Antonio Palocci. Os investidores haviam se preparado para algo pior e, agora, devolvem o excesso de cautela. O cenário externo, tranqüilo esta manhã, colabora. Além disso, operadores comentam favoravelmente a alta do governador de São Paulo, Geraldo Alckmin, agora candidato do PSDB às eleições presidenciais, na pesquisa Datafolha, ainda que o presidente Lula continue à frente (mas estabilizou-se nas intenções de voto). A pesquisa Focus, divulgada esta manhã pelo Banco Central, também foi considerada positiva. Apesar de as estimativas para o IPCA de março terem subido bastante - de 0,34% para 0,40% - por força principalmente do aumento do álcool combustível (o que já era esperado), isso não afetou as expectativas para o ano - que continuam estáveis em 4,55%, apenas 0,05 ponto porcentual acima do centro da meta (4,50%). No Top 5, as projeções para 2006 no cenário de médio prazo recuaram de 4,39% para 4,36%. Também agradou ao mercado o fato de as expectativas suavizadas para 12 meses, pelo IPCA, terem cedido de 4,42% para 4,37%. As previsões para IGP-DI também recuaram e estão agora abaixo de 4% (passaram de 4,08% para 3,95%). E a pesquisa mostrou ainda que o mercado "comprou" a idéia de que a trajetória gradualista de queda dos juros pode fazer com que a Selic chegue mais baixa do final do ano: a projeção para o juro básico ao final de 2006 caiu de 14,50% para 14,38%; para 2007, recuou de 13,38% para 13%. Pela manhã, foram divulgados ainda dois índices de inflação, ambos segundas prévias de março e ambos considerados positivos. O IPC-Fipe veio dentro das expectativas, enquanto o IGP-M veio abaixo. O IPC-Fipe ficou em 0,26%, coincidindo com a mediana das expectativas, que variavam de 0,20% a 0,35%. Já o IGP-M teve deflação de 0,10%, enquanto as previsões de mercado variavam de -0,05% a +0,15%, com mediana em 0%. No pregão da BM&F, o juro do DI de janeiro de 2008 estava em 14,41% às 10h03, ante 14,46% na sexta-feira. A taxa do DI de janeiro de 2007 estava em 15,01%, ante 15,04% da sexta.

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