Juro futuro registra alta

E mercado de juros futuros abriu em alta hoje, num dia em que os dados positivos de confiança dos empresários divulgados pela Fundação Getúlio Vargas (FGV) tendem a conduzir uma alta para as taxas dos contratos de depósitos interfinanceiros (DI) com vencimentos mais curtos. Mas comentários do Banco Central corroboram a percepção de que as alterações do compulsório podem ter reflexo colateral no controle da inflação, embora essa não seja a finalidade central das mudanças. Equalizando esses fatores, o mercado de DI deve ter um dia sem mudanças bruscas ante os patamares do dia anterior.

Patricia Lara, da Agência Estado,

26 de fevereiro de 2010 | 11h02

 

A FGV informou que o nível das expectativas do empresariado (IE), que compõe o Índice de Confiança da Indústria (ICI) atingiu, em fevereiro, o maior patamar da série histórica, iniciada em abril de 1995. Segundo a Fundação, o otimismo dos empresários quanto ao futuro, aliado à satisfação das empresas quanto à situação atual dos negócios, levou à alta de 1,9% no ICI de

fevereiro ante janeiro. O Nível de Utilização de Capacidade Instalada (Nuci) da indústria com ajuste sazonal alcançou 84,0% em fevereiro, o maior nível desde outubro de 2008.

 

Além dos dados da FGV, o mercado esmiúça comentários do presidente do BC, Henrique Meirelles, que hoje ocupa as página do Valor Econômico. O presidente do BC disse que "há uma recuperação forte da demanda doméstica, do consumo privado e público, e, agora, do investimento. Além disso, houve aumento da renda e do crédito. O segredo da saída (dos compulsórios) é este: ele não pode ser prematuro, mas também não pode ser tardio", observou. Meirelles também observa que a mudança das regras do compulsório é "de um lado, uma medida que tem efeito de política monetária... No ntanto, a experiência mostra que o mecanismo básico que o BC deve usar para alterar a trajetória futura de inflação é a taxa base de juros".

 

No entanto, o comandante do BC observa que "no processo de recuperação da economia, assim como num determinado ano se operou abaixo do PIB potencial, é possível operar em alguns momentos acima do potencial". No outro trecho, destaca que "não tomamos decisões que julgamos prematuras apenas para mostrar que não sofremos influência política". Há argumentos para manter a cisão entre os analistas que projetam alta da Selic em março e a corrente que vê abril como o momento de início do ciclo.

 

O componente externo tem hoje um quadro de cautela com nuances otimistas, enquanto o investidor aguarda a primeira revisão do Produto Interno Bruto norte-americano (PIB) do quarto trimestre. Também são esperados os dados de atividade dos gerentes de compras de Chicago, sentimento do consumidor e vendas de imóveis residenciais usados.

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