Juro futuro se mexe pouco em dia de baixa liquidez

Pregão teve movimentos pontuais, sem que IGP-M e pesquisa Focus tenham conseguido influenciar as taxas  

Fabrício de Castro, da Agência Estado,

30 de julho de 2012 | 17h17

As taxas dos contratos futuros de juros fecharam na segunda-feira próximas dos ajustes de sexta-feira, em leve baixa, em movimentos pontuais após os ganhos verificados no fim da semana passada. O IGP-M de julho, acima da mediana calculada pelo mercado, e a previsão de um IPCA mais alto em 2012, conforme a pesquisa Focus, foram incapazes de sustentar as taxas dos DIs de maneira duradoura, numa sessão marcada pela baixíssima liquidez.

Ao fim da sessão regular da BM&F, a taxa dos contratos futuros de juros com vencimento em janeiro de 2013 (26.350 contratos) marcava 7,39%, ante 7,41% do ajuste de sexta-feira. A taxa do DI para janeiro de 2014 (138.300 contratos) estava em 7,84%, ante 7,86% do ajuste anterior. Na ponta mais longa, o DI para janeiro de 2017 (31.605 contratos) tinha taxa de 9,09%, a mesma do ajuste de sexta-feira, e o DI para janeiro de 2021 (1.170 contratos) marcava 9,68%, ante 9,70%.

Profissionais ouvidos pela Agência Estado afirmam que a curva a termo precifica de forma praticamente unânime corte de 0,5 ponto porcentual da Selic na reunião do Comitê de Política Monetária (Copom) de agosto. Para o encontro de outubro, por sua vez, a predominância voltou a ser das apostas na manutenção da taxa básica. Atualmente, a Selic está em 8,0% ao ano.

"Pela manhã, o mercado tentou puxar as taxas para cima, em razão do IGP-M e da Focus. Mas o movimento durou pouco", citou um operador de renda fixa. Segundo ele, as taxas dos DIs se ajustaram em baixa "retornando um pouco o que subiram na semana passada" e o "IGP-M veio quase em cima do teto (das projeções do mercado), mas a expectativa já era de alta".

Divulgado pela manhã, o Índice Geral de Preços - Mercado (IGP-M) subiu 1,34% em julho, ante alta de 0,66% em junho. Levantamento feito pelo AE Projeções estimava uma taxa entre 0,95% e 1,36% em julho, com mediana de 1,26%. Apesar da aceleração, o indicador não teve fôlego para sustentar a alta dos DIs, nem mesmo nos vencimentos mais longos.

Dentro do indicador de inflação, chamou a atenção a contribuição de soja e derivados para o Índice de Preços ao Consumidor Amplo (IPA-M), um dos componentes do IGP-M. De acordo com a FGV, os produtos foram responsáveis por 1,09 ponto porcentual do índice de 1,81% do IPA no mês passado. "Se considerarmos que o IPA representa 60% do IGP-M, a soja respondeu por quase um terço do aumento do IGP-M de julho", citou Salomão Quadros, coordenador de Análises Econômicas da FGV. Porém, ele afirma que, no curto prazo, o IGP-M deve desacelerar gradativamente. "A disparada ocorrida neste mês foi pontual."

Já a Focus trouxe uma mudança nas projeções para o Índice de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) em 2012, de 4,92% para 4,98%. A estimativa para 2013 manteve-se em 5,5%. Do lado da atividade, o Produto Interno Bruto (PIB) projetado para este ano permaneceu em 1,90% na Focus; para o ano que vem, houve redução da alta de 4,10% para 4,05%.

Para o gerente de renda fixa da Leme Investimentos, Paulo Petrassi, as taxas de juros encontraram pouco espaço para variações. "Pela precificação atual dos DIs, que eu diria justa, a tendência é de oscilação menor mesmo. Nos próximos dias, até pela ausência de indicadores importantes no Brasil, a tendência é que o mercado fique mais focado no exterior."

Vale lembrar que o Comitê Federal de Mercado Aberto (Fomc, na sigla em inglês) do Federal Reserve anuncia na quarta-feira sua decisão de política monetária, enquanto o Banco Central Europeu (BCE) faz o mesmo na quinta. Na sexta saem os dados do relatório de empregos (payroll) dos Estados Unidos. Todos estes indicadores serão monitorados com atenção pelo mercado de renda fixa. Dependendo dos anúncios, profissionais não descartam ajustes mais consistentes nas taxas futuras.

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