Juro futuro sente 'efeito Bevilaqua' e cai na abertura

A saída do diretor de Política Econômica do Banco Central (BC), Afonso Bevilaqua, da instituição está fazendo preço no mercado de juros. Embora já fosse prevista pelos investidores, e o nome de seu sucessor, Mario Mesquita, fosse dado praticamente como certo, operadores dizem que há claramente um movimento nos contratos futuros de depósitos interfinanceiros (DIs) baseado nesse anúncio. No pregão da Bolsa de Mercadorias & Futuros (BM&F), a projeção de juros dos contratos com vencimento até janeiro de 2008 estão caindo, refletindo a aposta de muitos investidores de que, sem o diretor considerado o mais conservador do BC, o Comitê de Política Monetária (Copom) vai cortar mais rapidamente a taxa Selic. Por outro lado, sobem os juros dos contratos mais longos - refletindo o risco implícito em uma eventual aceleração no alívio monetário. Às 10h25, o DI de janeiro de 2008 projetava taxa de 12,13% ao ano, ante o fechamento ontem a 12,16% ao ano. O DI de janeiro de 2009 está em 12,12% ao ano, contra 12,05% do dia anterior. O "efeito Beviláqua" sobre a curva de juros é considerado surpreendente por operadores ouvidos pela Agência Estado, por dois motivos: além de já ser mais do que esperada pelos operadores, profissionais vêem com ceticismo a possibilidade de a política monetária realmente ganhar novo ritmo simplesmente por causa da saída do diretor do BC. De todo modo, é fato que há players montando posição com base nessa idéia. "Tem gente apostando atrasado e isso está mexendo com os preços de forma significativa. Pode até que ser que esteja havendo alguma distorção e que os juros curtos voltem a subir. Mas, agora, tem gente aplicando no DI de janeiro de 2008 e derrubando a taxa", explica um operador. Os DIs mais longos, especialmente o de janeiro de 2010, também seguem pressionados pelas incertezas no cenário internacional. E, na opinião de operadores, o dia promete ser de mais volatilidade, na esteira do comportamento do mercado externo.

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