Juro futuro sobe com incerteza após fala de Bernanke

O mercado de juros abriu nesta terça-feira em alta, refletindo a volatilidade externa. A taxa do depósito interfinanceiro (DI) com vencimento em janeiro de 2008, o contrato mais negociado na Bolsa de Mercadorias & Futuros (BM&F), estava em 15,9%, ante 15,72% do fechamento de ontem. Tudo indica que a volatilidade do mercado futuro de juros seguirá até o fechamento do mês, quando será realizada a reunião do Comitê de Mercado Aberto (Fomc) do Federal Reserve (Fed, o banco central dos Estados Unidos). Mas um ingrediente a mais foi dado aos operadores ontem à tarde: a preocupação do presidente do Fed, Ben Bernanke, com a inflação norte-americana. Assim, cresce também a inquietação quanto aos índices de preço americanos PPI (o índice de preços ao produtor) e CPI (índice de preços ao consumidor), que saem semana que vem. A avaliação de Bernanke foi suficiente para detonar perdas nos mercados de várias partes do mundo ontem, mas, no Brasil, as operações não foram tão prejudicadas em função do anúncio da operação de recompra de títulos da dívida externa pelo Tesouro Nacional, que fez cair tanto o risco Brasil quanto o dólar. É possível, no entanto, que o reflexo de Bernanke no mercado de juros doméstico seja sentido hoje, principalmente se o mau humor se perpetuar no exterior. Além disso, um fato que poderia passar sem importância nesta terça-feira, o discurso de dois dirigentes do Fed, ganhará força e atenção dos mercados. A diretora Susan Bies fala, às 12h15, durante conferência sobre gestão de risco em Coronado (Califórnia) e, às 15h45, o presidente do Federal Reserve Bank de Kansas City, Thomas Hoenig, fala sobre as perspectivas da economia e a política monetária durante evento em Montrose (Colorado). Aqui, o principal destaque do dia é o resultado da produção industrial de abril, que veio abaixo do esperado tanto na comparação dessazonalizada quanto na anual. A produção fabril ficou estável em relação a março (perto do piso das estimativas, que iam de -0,10% a +0,90% e abaixo da mediana de +0,25%). Em relação a abril de 2005, a produção caiu 1,9%, também dentro do previsto. O mercado continuará na contagem regressiva até a divulgação da ata do Comitê de Política Monetária (Copom) de maio, prevista para quinta-feira, dia em que o IBGE também divulgará o IPCA do mês passado. O documento é o principal ponto doméstico não apenas para a próxima decisão do Copom sobre o rumo da política monetária, mas para consolidar o cenário.

Agencia Estado,

06 de junho de 2006 | 10h25

Tudo o que sabemos sobre:
finanças

Encontrou algum erro? Entre em contato

Tendências:

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.