Juro futuro sobe com títulos públicos dos EUA e petróleo

O mercado de juros doméstico tem pouco a fazer em termos de ajuste, falando-se exclusivamente em relação à decisão de ontem do Comitê de Política Monetária (Copom). Afinal, o Copom ratificou a aposta majoritária do mercado de corte de 0,75 ponto porcentual na Selic, para 15,75%, em decisão unânime. Entretanto, a mudança no comunicado após a reunião pode servir de mote para alguns investidores - não o mercado como um todo - tentarem puxar as taxas do contrato de depósito interfinanceiro (DI) para cima. Ainda assim, o maior fator de pressão sobre os juros nesta manhã ainda é a volatilidade dos juros dos títulos do Tesouro dos Estados Unidos (treasuries) e do petróleo. O juro de 10 anos abriu em alta, virou a mão e pela manhã já voltava a subir novamente. O petróleo na New York Mercantile Exchange (Nymex) eletrônica (contrato para junho) bateu US$ 74,00 o barril. São estes motivos, principalmente, os que explicam a alta verificada nas taxas do DI futuro esta manhã na Bolsa de Mercadorias & Futuros (BM&F). Às 10 horas, a taxa do DI com vencimento para janeiro de 2008 estava em 14,52%, ante fechamento ontem a 14,46% e ajuste para a virada do dia a 14,44%, O comunicado do Copom teve pequena mudança em reação ao anterior e não está recebendo uma interpretação consensual por parte do mercado, nas primeiras opiniões ouvidas nesta manhã. O texto divulgado foi o seguinte: "O Copom não tem atribuído demasiada importância ao cenário externo em suas atas, reiterando sempre a baixa probabilidade de deterioração significativa", afirmou um operador. "Pessoalmente, não considero que o comunicado tenha trazido uma modificação importante. O Copom vai continuar observado o comportamento da inflação, que é muito positivo, e o da atividade, que não é tão positivo." O trecho sobre "acompanhar a evolução do cenário macroeconômico até a sua próxima reunião para, então, decidir os próximos passos na sua estratégia de política monetária" não constava do comunicado anterior. Alguns operadores estão vendo na mudança uma adaptação para acomodar as incertezas em relação ao cenário externo. Outros, no entanto, acham que o cenário macroeconômico é exclusivamente o cenário interno. E por falar em inflação, mais um índice de preços veio no piso das previsões hoje. A segunda prévia de abril do Índice Geral de Preços - Mercado (IGP-M) ficou em -0,50% (ante -0,10% de igual prévia em março) e veio dentro do previsto. A taxa de desemprego de março, divulgada pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), por sua vez, subiu para 10,4% em março, ante 10,1% em fevereiro. A variação entre fevereiro e março é considerada como "estabilidade" pelo instituto. Já o rendimento médio real dos ocupados foi estimado em R$ 1.006,80 em março, com aumento de 0,5% ante fevereiro e de 2,5% na comparação com março de 2005.

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