Juro na BM&F abre em baixa, mas espera Fed e Copom

O "dia D" da ata do Comitê de Mercado Aberto (Fomc) do Federal Reserve, o banco central dos Estados Unidos) e da decisão do Comitê de Política Monetária (Copom) sobre a taxa Selic começou melhor no mundo, com bolsas em alta na Europa e indicação de ganho também para a abertura dos mercados de ações em Nova York. Depois do estresse de terça-feira em escala internacional, os mercados tentam uma recuperação parcial na abertura do dia. Mas o que vai definir esta quarta-feira - e os próximos dias - é a ata do Fomc, a ser divulgada somente às 15 horas (de Brasília). O mercado doméstico não deve ousar grandes passos durante a manhã e os volumes devem se manter baixos. Ontem, a zeragem de posições já foi bastante forte, levando o juro do depósito interfinanceiro (DI) com vencimento para janeiro de 2008 (o mais líquido) novamente ao patamar acima de 16% ao ano. Mas por conta da abertura melhor e levando-se em consideração os possíveis movimentos de "day trade" (operações de curtíssimo prazo), o mercado pode até ter alguma piora antes da divulgação da ata do Fomc. Às 10h15, o DI-janeiro/08 estava em 15,97%, ante fechamento ontem a 16,18%. Nesta manhã, o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) divulgou os números do Produto Interno Bruto (PIB) brasileiro no primeiro trimestre, que vieram em linha com o esperado. O PIB cresceu 1,4% ante o quarto trimestre do ano passado. E registrou expansão de 3,4% em relação ao primeiro trimestre de 2005, antes expectativas que variavam de 2,66% a 3,70% (mediana em 3,35%). Os investimentos (FBCF) vieram com bons números: cresceram 3,7% ante o quatro trimestre de 2005 e 9% na comparação com o primeiro trimestre também do ano passado. Apesar da forte volatilidade recente dos mercados internacionais e doméstico, a aposta básica para a decisão de hoje do Copom não sofreu pioras: no máximo, foi reforçada. É a de que o Copom reduzirá a taxa Selic em 0,50 ponto porcentual, para 15,25%. A idéia de que o Copom poderia reduzir o tamanho do corte do juro básico - de 0,75 ponto percentual para 0,50 ponto - já nasceu logo após a última reunião, em 19 de abril, quando o comunicado mencionou que o comitê acompanharia o cenário macroeconômico antes da decisão seguinte (hoje). A aposta tornou-se majoritária com a divulgação da ata, uma semana depois, na qual a palavra-chave foi "parcimônia" na flexibilização adicional da política monetária. Isso tendo em vista as incertezas que cercam os mecanismos de transmissão da política monetária e a menor distância entre a Selic e as taxas de juros que deverão vigorar em equilíbrio no médio prazo. Com a volatilidade externa que se seguiu, o que era já majoritário virou praticamente um consenso. O curto comunicado que o Copom deve divulgar hoje, após sua decisão, será avaliado no detalhe. Uma eventual votação dividida pode gerar estresse. Não tanto se a divisão for entre o corte de 0,75 ponto percentual e 0,50 ponto, mas seguramente se for entre 0,50 e 0,25 ponto. Sinalizaria que o fim do processo de redução do juro básico estaria próximo. Aliás, um dos motivos do estresse de ontem foi uma especulação que varreu as mesas no sentido de que o BC cortaria o juro em 0,50 ponto e daria uma sinalização de parada. Agora, se o Copom decidir cortar a Selic em 0,25 ponto percentual desde já, seria desastroso, disseram vários operadores consultados pela Agência Estado. Num cenário em que a inflação está sob controle e que a atividade não tem se mostrado ameaçadora, iria sancionar as preocupações do mercado quanto à política monetária norte-americana e quanto à fuga de capitais dos países emergentes. E ainda poderia mostrar um BC inseguro quanto ao seu próprio trabalho - junto com o Tesouro e a Fazenda - de garantir bons fundamentos econômicos ao País e blindar a economia contra turbulências externas.

Agencia Estado,

31 de maio de 2006 | 10h15

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