Juro no Brasil deve cair 0,5 ponto na quarta-feira

O mercado financeiro está convencido de que o Comitê de Política Monetária (Copom), do Banco Central (BC), vai fechar maio, na quarta-feira, desacelerando o ritmo de redução da taxa básica de juros. Das 50 instituições financeiras consultadas pela Agência Estado, 48 projetam corte de 0,50 ponto porcentual, com o juro recuando de 15,75% ao ano para 15,25%. Se confirmado, seria o nível mais baixo desde o início de 2001. O economista da SulAmérica Investimentos, Newton Rosa, diz que há espaço para a manutenção do corte de 0,75 ponto, mas dois fatores devem reforçar a cautela do BC: o atraso nos efeitos do afrouxamento da política monetária sobre a economia e as incertezas externas. "Deve prevalecer o ritmo parcimonioso, moderado, de redução do juro apontado na ata da última reunião do Copom." O encontro de quarta-feira do Copom para a definição do rumo da taxa básica de juros é o evento doméstico mais importante da semana. Mas o mercado financeiro, que começa a semana com os negócios enfraquecidos pelo feriado do Memoria Day (Dia da Memória) hoje nos Estados Unidos, tende a permanecer mais sensível a eventos e indicadores do cenário externo. "Aparentemente a semana deve ser mais tranqüila, mas indicadores que serão divulgados nos EUA podem trazer a volatilidade de volta ao mercado", comenta Newton Rosa. A agenda está recheada de dados importantes. O principal é a ata da reunião do Federal Reserve (Fed, banco central dos EUA) do dia 10 que aumentou 0,25 ponto porcentual, para 5% ao ano, o juro de curto prazo americano. O documento, que sai na quarta-feira, poderia trazer indicações sobre os próximos passos na política monetária, diz o executivo da SulAmérica. A idéia, por enquanto, é de uma parada no ciclo de reajuste dos juros na reunião do fim de junho, mas o que o mercado quer saber é se a ata confirma essa expectativa. O temor de novas altas dos juros nos EUA foi o grande fator de turbulência dos mercados na semana passada. Há ainda outros dados que podem influenciar a tendência dos juros nos EUA. Na quinta-feira será conhecido o ISM, indicador que aponta o nível de expansão da atividade industrial americana. No mesmo dia serão divulgados os dados de produtividade no primeiro trimestre e, na sexta-feira, o relatório com dados de emprego e desemprego em maio. "Qualquer desses indicadores que vierem acima das expectativas pode voltar a provocar volatilidade." O dado doméstico de maior destaque é o IGP-M de maio, que será divulgado amanhã.

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