Juro nos EUA e inflação devem influenciar negócios

A agenda reforçada de indicadores de inflação, no cenário doméstico, e a reunião do Comitê de Mercado Aberto (FOMC), do Federal Reserve (Fed, banco central americano), para deliberação sobre o juro básico nos Estados Unidos, vão atrair as atenções do mercado financeiro ao longo desta semana. A expectativa do mercado é que o Fed promova no encontro de quarta-feira novo aumento de 0,25 ponto porcentual, arredondando o juro de curto prazo americano, referenciado nos Fed funds, para 5% ao ano. Como esse aumento é tido como certo, o interesse estará voltado ao comunicado que o Fed vai divulgar no fim da reunião, diz Newton Rosa, economista da SulAmérica Investimentos. "O comunicado poderá indicar se procedem as especulações sobre uma parada no ciclo de alta ou se vai haver mais elevações nos juros americanos." A decisão sobre os juros ou, ainda, a indicação do Fed sobre os próximos passos da política monetária americana têm sido determinantes no comportamento do mercado internacional e, por extensão, do doméstico. Especulações sobre possível elevação dos juros nos EUA têm sido suficientes para deprimir a bolsa ou dar suporte, ainda que momentaneamente, ao dólar e aos juros futuros. A tendência da taxa básica de juros está também no foco do mercado doméstico e a torcida é para que os dados de inflação que saem esta semana ajudem a clarear o rumo da política monetária. O indicador mais importante é o IPCA de abril, que será divulgado na quarta-feira e está projetado pela SulAmérica em 0,27%. "O IPCA deve confirmar que a inflação está em queda, principalmente pelo recuo dos preços dos alimentos e pelo fim da pressão do aumento de combustíveis." Ainda na quarta será conhecido o IGP-DI, também de abril, estimado como deflação de 0,25%. O economista da SulAmérica comenta que, se forem levados em conta apenas a inflação e os indicadores moderados de atividade da indústria divulgados recentemente, o ambiente econômico favorece a redução de mais 0,75 ponto porcentual no juro básico, embora o tom da ata da última reunião do Copom indique a possibilidade de corte menor. O próximo encontro do Copom para decisão sobre os juros está marcado para dia 31. Em relação à tendência dos mercados, Newton Rosa prevê a continuidade de apreciação do real no curto prazo, por causa do quadro favorável ao fluxo de ingresso de capitais. Já o comportamento da bolsa, prevê, vai continuar ligada a fatores externos, como o preço do petróleo e juros nos EUA.

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