Juro nos EUA é principal destaque

Sem indicadores de destaque internamente, o mercado financeiro vai dedicar maior atenção nesta semana a eventos e dados que serão divulgados nos Estados Unidos, sem baixar a guarda diante de eventuais desdobramentos da crise política que tem como foco o ministro Antonio Palocci (Fazenda). "O mercado deve permanecer em compasso de espera nesta semana de indicadores cruciais no exterior", avalia o vice-presidente de Tesouraria do banco WestLB do Brasil, Flávio Farah. O evento de destaque nos EUA é a reunião do Comitê de Mercado Aberto (FOMC) do Federal Reserve (Fed, banco central norte-americano), que, segundo prognóstico geral, vai definir amanhã nova alta de 0,25 ponto porcentual no juro básico, de 4,50% para 4,75% ao ano. A expectativa com a decisão do Fed, no primeiro encontro comandado por Ben Bernanke, ficou fortalecida pelos dados mais fortes da economia norte-americana divulgados recentemente e pelo realinhamento dos juros dos títulos de dez anos do Tesouro dos EUA em nível mais elevado. "O juro deve subir 0,25 ponto, mas o grande interesse do mercado estará voltado à possível mensagem implícita no comunicado, a ser emitido pelo Fed, sobre a continuidade ou não da política de alta das taxas de juro", diz Farah. O mercado não disfarça o temor de que uma perspectiva de altas mais prolongadas dos juros americanos, na esteira também do recente aceno do Japão de mudanças na política monetária, desestimule o fluxo de entrada ou encoraje a saída de divisas de mercados como o brasileiro. Uma movimentação que poderia dar sustentação às cotações do dólar e provocar desvalorização das ações domésticas. Outros dados que podem influenciar os mercados, segundo o executivo do WestLB, são o indicador de confiança do consumidor norte-americano de março, que será conhecido amanhã, e o Produto Interno Bruto (PIB) fechado dos EUA do quarto trimestre, na quinta-feira. O sentimento de que a inflação interna está sob controle, reforçado pelos dados mais recentes de variação dos preços, desvia a atenção do investidor para o cenário político na semana de fraca agenda de indicadores econômicos. O principal dado de inflação é o IGP-M de março, que será divulgado na sexta-feira pela Fundação Getúlio Vargas e, segundo Farah, deverá apontar uma deflação (variação negativa) de 0,15%. Uma fator que tende a continuar provocando desconforto no mercado financeiro é a crise que atinge Palocci. Às incertezas sobre a permanência do ministro, bastante respeitado pelo mercado, se somam dúvidas sobre o substituto em caso de sua eventual saída.

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