Juro oscila acompanhando exterior, mas termina estável

Taxas abriram em alta, acompanhando a melhora externa, mas voltaram para perto dos ajustes ao longo do dia

Márcio Rodrigues, da Agência Estado,

31 Outubro 2012 | 16h45

Mesmo com uma pequena melhora da liquidez em virtude do retorno dos mercados norte-americanos, os investidores em juros não encontraram motivos para mudar drasticamente os preços embutidos na curva a termo. A diferença em relação aos últimos dias é que as taxas abriram em alta, acompanhando a melhora externa, mas voltaram para perto dos ajustes ao longo da tarde, também em linha com a virada para baixo dos ativos internacionais. No âmbito doméstico, um dado de emprego e outro de atividade da indústria mostraram melhora, mas insuficientes para segurar a alta dos juros futuros.

Assim, ao término da negociação normal na BM&F, a taxa do contrato futuro de juros com vencimento em janeiro de 2014 (158.925 contratos) marcava 7,34% nesta quarta-feira nivelado ao ajuste. A taxa para janeiro de 2015, com 120.345 contratos, estava em 7,82%, de 7,81% terça-feira. Entre os vencimentos mais longos, o DI para janeiro de 2017 (124.845 contratos) apontava 8,49%, de 8,50% na véspera. A taxa do DI para janeiro de 2021 (4.255 contratos) marcava 9,10%, ante 9,11% no ajuste.

Nesta quarta-feira a Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp) informou que o nível de atividade (INA) da indústria paulista teve aumento de 0,2% em setembro ante agosto, na série com ajuste sazonal. Para a entidade, 2012 deve registrar queda de 4,5% no nível de atividade, apesar da expectativa de que o INA mostre alta de 1,1% no quarto trimestre. E a taxa de desemprego na Região Metropolitana de São Paulo (RMSP) recuou para 11,3% em setembro, de 11,6%% em agosto, segundo a Pesquisa de Emprego e Desemprego (PED) que a Fundação Seade e o Departamento Intersindical de Estatística e Estudos Socioeconômicos (Dieese). No conjunto de sete regiões pesquisadas, a taxa de desemprego cedeu para 10,9%, de 11,1%.

No que tange ao comportamento da inflação, o Índice de Preços ao Produtor (IPP), divulgado pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), registrou alta de 0,72% em setembro. No acumulado do ano, o indicador teve alta de 6,35%, e, em 12 meses, de 6,99%. O IPP de agosto foi revisado para baixo, de alta de 0,53% para 0,52% em relação a julho. A coleta diária da FGV mostrou aceleração do IPCA no critério ponta, de 0,32% no dia 29 para 0,39% na terça-feira. O grupo Alimentação e Bebidas passou de 0,25% para 0,34% no período.

A despeito dos temores que o mercado ainda guarda com relação aos preços, o diretor de Política Econômica do Banco Central, Carlos Hamilton Araújo, fez uma nova defesa do regime de metas de inflação e afirmou que o compromisso da instituição é com a estabilidade de preços e com a manutenção da inflação sob controle. Durante evento em Porto Alegre, ele enfatizou que a autoridade monetária sempre atua visando a estabilidade de preços e que o IPCA deve ir na direção da meta de 4,5% no próximo ano. "No terceiro trimestre do ano que vem estará convergindo (para a meta)",apontou. "E as expectativas de mercado para 2013 estão recuando nas últimas semanas", comentou.

No exterior, as Bolsas de Nova York recuam no primeiro dia de pregão da semana, após a passagem da supertempestade Sandy na Costa Leste dos Estados Unidos. Entre os poucos dados do dia, o índice de atividade dos gerentes de compra (PMI, na sigla em inglês) do setor industrial de Chicago subiu para 49,9 em outubro, de 49,7 em setembro, mas ficou abaixo da estimativa média de 51,0. E na Europa, a economia segue cambaleante. A taxa de desemprego na zona do euro subiu para o novo recorde de 11,6% em setembro, ante 11,5% em agosto e acima das projeções de que ficaria estável.

Mais conteúdo sobre:
jurosfechamento

Encontrou algum erro? Entre em contato

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.