Juro recua com aposta em cenário benigno para inflação

Ao término da negociação normal da BM&F, o vencimento de depósito interfinanceiro (DI) de outubro de 2010 caía de 10,75% no ajuste de ontem para 10,725%

Denise Abarca, da Agência Estado,

27 de julho de 2010 | 16h24

Em sequência ao movimento visto ontem, os juros futuros prosseguiram em baixa consistente, ajustando-se à percepção de que o cenário de inflação é favorável ao encurtamento do ciclo de aperto da Selic (taxa básica da economia), como sinalizado pelo Comitê de Política Monetária (Copom) na semana passada ao reduzir o ritmo de elevação da Selic.

 

Ao término da negociação normal da BM&F, o vencimento de depósito interfinanceiro (DI) de outubro de 2010 (153.610 contratos negociados hoje) caía de 10,75% no ajuste de ontem para 10,725%; o DI de janeiro de 2011 (560.635 contratos negociados) cedia a 10,84%, de 10,89% ontem; o DI janeiro de 2012 (266.025 contratos negociados) recuava de 11,61% para 11,54%; e o DI de janeiro de 2014 (13.680 contratos negociados) projetava 11,92%, de 11,95% ontem.

 

O mercado tem tentado se antecipar ao que deve ser a ata do Copom na quinta-feira, em que os diretores, para justificar a redução no compasso de alta da taxa básica, devem apresentar um quadro prospectivo mais sereno para os preços. Essa percepção tem sido reforçada pelos resultados da coleta diária da FGV, que reproduz a metodologia utilizada no cálculo do IPCA. Segundo operadores, o levantamento teria mostrado ampliação da deflação no chamado "IPCA ponta". O mercado tem alimentado, ainda, a expectativa de que o Índice de Atividade Econômica do Banco Central (IBC-Br), que é um indicador antecedente do PIB, dê novos sinais de acomodação em junho e em julho. Em maio, o índice ficou em 139,55, número que revela estabilidade em comparação com o mês de abril, quando ficou em 139,58, considerando os dados dessazonalizados.

 

Além disso, o otimismo externo visto ontem se esvaiu com mais dados fracos da economia dos EUA, levando o investidor a precificar ainda mais um quadro frágil para a recuperação global. O que o mercado parece ter sentido mais hoje foi a persistência da deterioração da confiança do consumidor. A pesquisa do Conference Board mostrou que o índice caiu

para 50,4 neste mês, do número revisado de 54,3 em junho - que havia sido informado anteriormente como 52,9. A leitura de julho foi a mais baixa desde os 46,4 alcançados em fevereiro e foi levemente menor do que a estimativa de 50,8 dos

economistas ouvidos pela Dow Jones.

 

Na agenda local, foram revelados pelo Banco Central os dados do crédito referentes a junho, mas não chegaram a influenciar as taxas. O estoque de operações de crédito cresceu 2% em junho ante maio, para R$ 1,529 trilhão, ou 45,7% do PIB. Houve recuo no juro médio cobrado no crédito livre, para 34,6% ao ano, ante 34,9% em maio. A taxa de inadimplência ficou praticamente estável, passando de 5,1% para 5%. O prazo médio das operações de crédito com recursos livres atingiu em junho 450 dias, ante 435 dias em maio, o maior prazo médio da série histórica, iniciada em 2000.

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