Juro recua na BM&F; ata reforça aposta em novo corte de 0,5 ponto

A ata do Comitê de Política Monetária (Copom) do Banco Central, divulgada esta manhã, foi considerada positiva pelos operadores e deve alimentar a aposta de que a autoridade monetária vai repetir a dose e reduzir a taxa Selic em 0,5 ponto porcentual na próxima reunião, no final de novembro. Assim, a leitura do documento referente à reunião realizada na semana passada, quando os juros básicos foram reduzidos para 13,75% ao ano, deve provocar mais uma rodada de queda das taxas futuras de juros hoje. Na opinião de analistas, o recuo deve ocorrer de forma mais expressiva na parte longa da curva, que vinha resistindo à queda verificada nos demais contratos. O mercado de juros futuros parece ter se antecipado à ata benigna ontem, quando as taxas dos contratos futuros de DIs (depósitos interfinanceiros) negociados na Bolsa de Mercadorias & Futuros (BM&F) caíram com força sem que houvesse notícia ou outro argumento concreto para o movimento. Embora alguns economistas ouvidos pela Agência Estado esperassem um viés conservador na ata do Copom, nas mesas de operação cresceu o otimismo em relação à continuidade da queda dos juros. Hoje, o teor da ata confirmou as expectativas mais favoráveis e deve provocar mais alguma correção nas taxas. Embora o Banco Central não tenha se comprometido com nenhuma decisão - ao contrário, operadores entenderam que a ata deixa espaço aberto para qualquer decisão -, o documento foi muito parecido com o anterior, de agosto. E, dessa forma, alimenta a aposta de que o corte da Selic também deverá se repetir em novembro. O economista da Concórdia Corretora, Elson Telles, considerou a ata divulgada hoje "uma cópia" da anterior e que, por isso, o mercado tenderá a acreditar que o ritmo do processo de alívio monetário será mantido. Mas ele pondera que a ata apresenta um cenário de melhora expressiva, em especial na inflação corrente e no preço do petróleo, entre a reunião de agosto e a de outubro, que dificilmente se repetirá até novembro. "Essa melhora foi expressiva, mas ela já foi incorporada. A melhora que tinha para acontecer já aconteceu ", diz, acrescentando que há, portanto, possibilidade de o Copom reduzir o ritmo agora em novembro. O importante, para operadores, é que o BC enfatizou que não há descompasso entre o crescimento da demanda agregada, possibilitada tanto pelo aumento da massa salarial como pelo avanço do crédito - viabilizado pelo alívio monetário - e a oferta. A ata, inclusive, destacou que há crescimento "robusto" dos investimentos produtivos. No documento, o Banco Central mostra que foram reduzidos os riscos advindos do cenário internacional e da pressão do preço do petróleo. E que a alta recente do IPCA não altera o cenário benigno para a inflação. Às 10h27, as taxas projetadas pelo DI de janeiro de 2008, no pregão da BM&F, estavam em 13,11% ao ano, ante taxa de fechamento ontem a 13,14% ao ano.

Agencia Estado,

26 de outubro de 2006 | 10h28

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