Juro sobe com ata conservadora e alta de taxa chinesa

O mercado domestico de juros brasileiro abriu em polvorosa esta manhã com o impacto provocado nos mercados internacionais pelo anúncio da China de elevação dos juros e pela ata do Comitê de Política Monetária (Copom), bem mais conservadora e claramente sinalizando que os cortes da Selic, daqui em diante, serão mais parcimoniosos. Isso reforçou, de imediato, a idéia de que o Copom, na reunião de 30 e 31 de maio, cortará os juros básicos da economia brasileira em apenas 0,50 ponto porcentual, uma dose menor do que a última, de 0,75 ponto porcentual. Às 10h23, a projeção da taxa do contrato de depósito interfinanceiro (DI) com vencimento para janeiro de 2008 (o mais negociado) na Bolsa de Mercadorias & Futuros (BM&F) estaca em 14,80%, ante 14,62% ontem. Já o DI com vencimento para janeiro de 2007 estava a 14,81% (14,71% ontem). O Banco Central chinês anunciou hoje pela manhã que vai elevar a sua taxa básica para empréstimo de um ano em yuan em 0,27 ponto porcentual, para 5,85%. O aperto monetário é o primeiro desde outubro de 2004, quando o BC chinês também aumentou sua taxa de empréstimo. A elevação dos juros entra em vigor amanhã. A concessão de empréstimo disparou 70% no primeiro trimestre na China, na comparação a igual período de 2005, ampliando o surto de investimentos e provocando alta recorde dos preços das commodities industriais. O boom também provocou um excesso de oferta de imóveis e bens manufatureiros, segundo a Agência Dow Jones. A reação nos juros dos títulos do Tesouro norte-americano foi imediata e fortíssima. As taxas dispararam e o juro de 10 anos chegou a quebrar a marca de 5,14%, segundo cotações da Comstock. Há pouco (9h35), a taxa desacelerava para 5,1205% (alta de 0,37%). A ata, por sua vez, trouxe claramente, a partir do parágrafo 18 e até o 21, a maior cautela do Copom em relação à defasagem entre a implementação da política monetária e seus efeitos sobre atividade e inflação, desde que já se completou um corte total na Selic de 325 pontos-base desde setembro de 2005. O parágrafo 20 é o fundamental na sinalização de cortes menores daqui em diante, quando o Comitê diz que o quadro atual, considerando as incertezas que cercam os mecanismos de transmissão da política monetária, pode "demandar que a flexibilização adicional da política monetária seja conduzida com mais parcimônia". Especialmente, acrescenta o documento, porque decisões de agora em política monetária terão impacto mais concentrado em 2007. Isso foi entendido pelo mercado como uma sinalização clara de que o próximo corte da Selic poderá ser de 0,50 ponto porcentual e os juros do DI futuro ajustam-se a este entendimento. Ainda nessa seqüência importante de parágrafos (de 18 a 21), o Copom cita, particularmente no 19, expansão do emprego, da renda, do crédito como fatores de impulso na economia, aos quais devem ser acrescidos os efeitos do novo salário mínimo e dos impulsos fiscais do último trimestre de 2005 e os esperados para o primeiro semestre deste ano. Os parágrafos 11 e 16 também são importantíssimos para sublinhar os receios do Copom. No 11, o Comitê admite que o cenário de reajuste zero para os preços dos combustíveis em 2006 (ainda mantido no momento) "tornou-se progressivamente menos plausível", por causa da alta dos preços do petróleo. Independentemente do que ocorra com os preços domésticos da gasolina, acrescenta o Copom, a alta do petróleo se transmite de qualquer forma à economia doméstica, pelas cadeias produtivas (petroquímica, por exemplo) e pelos efeitos nas expectativas de inflação. No parágrafo 16, o Copom volta a se referir ao petróleo e a outras commodities, embora, em princípio, ainda considere o cenário externo favorável. Hoje de manhã foi divulgado ainda o IGP-M de abril, que caiu 0,42%, ante queda de 0,23% em março. A taxa ficou dentro das estimativas, mas não teve efeito sobre os negócios, norteados pela China e pela ata do Copom. O dia ainda promete: tem depoimento do presidente do Federal Reserve, Ben Bernanke, sobre as condições da economia norte-americana, ao Comitê Conjunto de Economia do Congresso, em Washington, a partir das 11 horas (de Brasília). E amanhã tem PIB do primeiro trimestre nos EUA, outro dado que pode mexer com os mercados mundiais.

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