Juro sobe no mercado futuro com cenário externo

O mercado de juros abriu em alta, acompanhando nova onda negativista dos mercados internacionais. Mas a divulgação das encomendas de bens duráveis nos Estados Unidos em abril, que caíram 4,8%, quando os analistas esperavam estabilidade, proporcionou alguma melhora no nervosismo. Os preços dos títulos do Tesouro dos EUA acentuaram a alta, após a divulgação do dado, projetando juros em queda maior do que antes. Às 9h38, o juro projetado pelo papel de 10 anos reforçava o recuo para 0,81%, a 4,9883%. Antes do dado, o juro cedia 0,44%. Mas por volta das 10 horas a queda do juro do título estava mais fraca, de 0,22%, para 5,0182%. A tônica dos negócios indiscutivelmente ainda é de grande volatilidade e nada garante sustentabilidade em qualquer movimento. Às 11 horas (de Brasília), serão divulgados os dados de vendas de imóveis residenciais novos em abril norte-americanos. Será outro teste para o mercado. A mediana das previsões é de queda de 5,2%. Aqui, a novidade do dia no mercado de juros é o leilão simultâneo de compra e venda de NTN-B (títulos corrigidos pelo IPCA), anunciado pelo Tesouro Nacional hoje cedo e que será feito das 12 horas às 13 horas. O Tesouro responde, assim, ao problema criado no mercado com as NTN-B desde que a onda de volatilidade foi iniciada, a partir da aversão ao risco originada das preocupações com a inflação e política monetária dos EUA. Em abril, 70% dos papéis ofertados foram comprados por investidores estrangeiros, beneficiados pela isenção de Imposto de Renda. Agora, eles estão assustados com a volatilidade, não encontram porta de saída. No leilão, a oferta do Tesouro envolve 1,5 milhão de títulos na ponta de venda e mesma quantidade na ponta de compra. Segundo o comunicado divulgado pelo Tesouro, "o objetivo primordial deste leilão é o de promover parâmetros de preços aos participantes do mercado financeiro, fato que não vem ocorrendo tendo em vista as condições vigentes nos últimos dias". O Tesouro diz ainda ter verificado que "há investidores interessados tanto em adquirir quanto em vender tais títulos no mercado secundário", mas sem parâmetro de preço por causa da volatilidade. Já os operadores dizem que o interesse maior dos investidores é o de vender o papel para o Tesouro. A porta de saída, oferecida agora pelo Tesouro Nacional, pode ser pequena demais. No limite, o Tesouro pode não aceitar comprar (nem vender) nada, se os pedidos de prêmio forem elevados. E provavelmente serão. Há riscos, observou um operador. Os investidores correrem para vender os títulos ao Tesouro e comprarem dólar. Mas há também o limite de 1,5 milhão de papéis, o que impede venda maciça. Enfim, é um leilão importante, ao qual o mercado de juros dará a máxima atenção. Desde ontem já se falava que o Tesouro deveria providenciar ofertas de compra de papéis, para proporcionar algum alívio. E continua a expectativa da volta das ofertas de LFTs a qualquer momento para financiar a dívida pública. Às 10h39, o juro do depósito interfinanceiro (DI) com vencimento para janeiro de 2008 (o mais negociado) projetava taxa de 15,86% ante 15,48%de ontem.

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