Juros abrem estáveis; depois da ata, taxas reduzem oscilação

Depois de realizar correções justificadas pela ata do Comitê de Política Monetária (Copom), o mercado de juros já reduz o ímpeto por ajustes nas taxas futuras. Operadores acreditam que hoje as taxas devem ficar mais próximas da estabilidade. No início do pregão de contratos de DI (depósito interfinanceiro) na Bolsa de Mercadorias & Futuros, o vencimento de janeiro de 2008 projetava taxa de 13,11% ao ano, sem variação em relação ao fechamento ontem. Se houver um movimento de realização de lucros no exterior, o impacto será sobre a parte mais longa da curva de juros. No curto prazo, os juros já acumularam uma queda expressiva ao longo da semana - que ocorreu, inclusive, com mais força na véspera (quarta-feira) da divulgação da ata, limitando o efeito do documento no pregão de ontem. Agora, o mercado aguardará os próximos indicadores econômicos - especialmente os de atividade econômica - para ajustar os juros futuros. Houve leituras diferentes a respeito da ata do Copom. Mas profissionais são unânimes em afirmar que o Banco Central acrescentou ao documento elementos positivos, confirmando um cenário otimista para a inflação e, conseqüentemente, para a política monetária. Entre operadores, cresceu a avaliação de que há espaço para um novo corte de 0,5 ponto porcentual na taxa Selic. Mas, como a ata não descartou a chance de uma redução no ritmo de alívio monetário, ainda há prêmio nos contratos. "Essa gordura só será retirada à medida que saírem novos indicadores que ajudem a esclarecer o cenário de inflação e atividade para 2007", diz um operador. Os contratos de juro mais longos, no entanto, dificilmente acompanharão o comportamento dos curtos, o que deve manter a curva de juros inclinada. Nesses prazos, o mercado deve montar posições que refletirão a preocupação com outra questão: o próximo governo federal. Como as pesquisas apontam Lula como o provável vencedor do segundo turno da eleição, no domingo, o mercado está atento ao discurso da equipe do governo petista, que tem defendido desenvolvimento econômico e não sugere o mesmo rigor fiscal adotado até aqui. Operadores acreditam que, daqui para a frente, o mercado passará a precificar essa questão, ou seja, as dúvidas sobre o comprometimento do próximo governo com o ajuste fiscal. "Isso deve impactar os contratos de DI de longo prazo", afirma um operador. "A dúvida do mercado é se tudo isso é só discurso de campanha ou se, de fato, haverá uma mudança na orientação da política econômica", diz outro profissional.

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