Juros ainda ajustam-se ao Copom e deixam PIB de lado

Investidores deram prosseguimento ao ajuste pontual à espera da ata da última reunião do comitê 

Márcio Rodrigues, da Agência Estado,

31 de agosto de 2012 | 16h50

Os investidores em juros deram prosseguimento ao ajuste pontual das taxas, com pequeno avanço das curtas e queda das longas. Mas o movimento não teve relação mais forte com o resultado do Produto Interno Bruto (PIB) do segundo trimestre, que cresceu 0,4% ante os três primeiros meses do ano, nem com as declarações sem novidades relevantes do presidente do Federal Reserve, Ben Bernanke, no simpósio anual de Jackson Hole. Na visão de operadores e analistas as taxas devem seguir com movimentos estreitos, à espera da ata da última reunião do Comitê de Política Monetária (Copom) e dos próximos indicadores de atividade. Mesmo porque, o PIB veio em linha e foi considerado apenas um dado retrovisor.

Assim, ao término da negociação normal na BM&F, a taxa projetada pelo DI janeiro de 2013 (522.810 contratos) estava em 7,27%, de 7,26% no ajuste. Já a taxa do contrato de juro futuro para janeiro de 2014 (300.405 contratos) marcava 7,82%, ante 7,83% na véspera. Entre os longos, o DI janeiro de 2017 (85.490 contratos) indicava 9,02%, de 9,08% na quinta-feira, enquanto o DI janeiro de 2021, com giro de 5.340 contratos, apontava 9,59%, de 9,66% no ajuste.

O anúncio, pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), do PIB no segundo trimestre veio acompanhado pela revisão em baixa, de 0,2% para 0,1%, do crescimento da economia no primeiro trimestre ante os últimos três meses de 2011. Entre os componentes, após uma contração de 5,9% no primeiro trimestre ante os três últimos meses de 2011, o setor agrícola se recuperou com expansão de 4,9% no segundo trimestre, ante os primeiros três meses do ano. O PIB da indústria caiu 2,5%, após uma expansão de 1,7% nos três primeiros meses do ano. O PIB de serviços mostrou alta de 0,7% no segundo trimestre contra o primeiro trimestre do ano.

O resultado do PIB como um todo, segundo o próprio IBGE, teve maior impacto positivo do setor de serviços, ao passo que a indústria atuou em sentido oposto. Uma parte desse resultado da indústria pode ser explicada pelo recuo de 0,7% na Formação Bruta de Capital Fixo (FBCF) no segundo trimestre contra o primeiro trimestre do ano, em face de uma produção menor de máquinas e equipamentos, bem como de caminhões - duas áreas diretamente ligadas ao setor industrial.

De acordo com cálculos do Banco WestLB no Brasil, o PIB do Brasil cresceu 1,61%, em termos anualizados, no segundo trimestre. O estrategista-chefe da instituição, Luciano Rostagno, acredita que pode ser possível que a economia chegue ao final do ano com um crescimento anualizado de 4%, como projetam autoridades do governo.

O ministro da Fazenda, Guido Mantega, ressaltou que a economia conseguirá crescer mais nos próximos trimestres. "O terceiro e quarto trimestre serão melhores", afirmou o ministro, em São Paulo. "A indústria ainda não foi bem porque exportou menos e sofre no País concorrência com as importações", explicou.

O presidente do Banco Central, Alexandre Tombini, trouxe análise semelhante, reiterando, em nota, que a tendência é de intensificação da atividade não só na segunda metade deste ano, mas também em 2013. Ele participa do simpósio de Jackson Hole, onde o presidente do Fed fez um aguardado pronunciamento nesta manhã, sem, no entanto, trazer novidades relevantes. Bernanke apenas reiterou a fraqueza da recuperação dos EUA e reforçou que a autoridade monetária "vai fornecer acomodação política adicional conforme o necessário" para promover a recuperação econômica e dar suporte para o mercado de trabalho.

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