Juros avançam acompanhando alta do dólar

Os juros futuros apresentam viés de alta pouco após a abertura dos negócios nesta quinta-feira, 28, especialmente na ponta longa, acompanhando a valorização do dólar e após dados positivos sobre a economia dos Estados Unidos. A segunda leitura do PIB norte-americano mostrou crescimento à taxa anualizada de 4,2% no segundo trimestre, ante um resultado inicial de 4% e previsão de revisão para 3,8%. No cenário interno, o ambiente político continua dominando a atenção dos investidores.

ÁLVARO CAMPOS, Estadão Conteúdo

28 de agosto de 2014 | 09h53

Às 9h32, o contrato de depósito interfinanceiro (DI) para janeiro de 2015 estava em 10,80%, de 10,82% no ajuste de quarta-feira, 27. O DI para janeiro de 2016 indicava 11,29%, exatamente no ajuste da véspera. O contrato para janeiro de 2017 indicava 11,33%, de 11,30%. E o janeiro 21 tinha taxa de 11,28%, ante 11,22%. Já a T-note de 10 anos tinha taxa de 2,340%, ante 2,361%.

O resultado do PIB norte-americano pode trazer pistas sobre os próximos passos do Federal Reserve nas estratégias de saída e de normalização da sua política monetária. O crescimento mais forte que o esperado poderá renovar as apostas sobre uma antecipação da alta de juros no país, já cogitada por parte dos integrantes do Fed na última ata da reunião de política monetária de julho e também mencionada pela presidente da instituição, Janet Yellen, em pronunciamento no simpósio de Jackson Hole, na semana passada.

A agenda nos EUA está cheia hoje. Além do PIB, o Departamento do trabalho informou há pouco que os pedidos semanais de auxílio-desemprego ficaram em 298 mil na semana passada, ante previsão de 300 mil. Mais tarde, às 11 horas, saem os dados sobre vendas pendentes de imóveis em julho, após uma queda de -1,1% computada em junho. Ao meio-dia, o Fed de Kansas City divulga o índice de atividade industrial regional em agosto, sendo que em julho ficou em 9.

No Brasil, o IGP-M de agosto ficou diminuiu o ritmo de deflação, ao passar de queda de 0,61% em julho para retração de 0,27% em agosto, divulgou mais cedo a Fundação Getulio Vargas (FGV). O resultado ficou dentro do intervalo das estimativas dos analistas do mercado financeiro consultados pelo AE Projeções, que ia de quedas entre de 0,15% e 0,43%. A retração registrada neste mês veio mais branda que a mediana encontrada, de -0,33%. Já o Índice de Confiança de Serviços (ICS) recuou 3,1% na passagem de julho para agosto, na série com ajuste sazonal, para o menor nível desde abril de 2009, enquanto o Índice de Confiança do Comércio (Icom) caiu 7,3% na comparação com igual período de 2013.

O mercado de juros futuros entrou, de vez, na "euforia eleitoral", o que promoveu uma nova e ainda mais importante desinclinação da curva a termo, ontem, fazendo com que o DI para janeiro de 2021 exibisse uma taxa menor que a do DI para janeiro de 2017. Essa forma de inclinação é um evento raro para os derivativos domésticos de renda fixa e sugere mudança de opinião do mercado financeiro, avaliam especialistas, diante do "efeito Marina" e de um possível governo menos intervencionista e com mais alianças. Em resumo, os investidores apostam que um eventual aperto adotado pelo BC permitiria um afrouxamento da Selic mais adiante, em caso de vitória da oposição nas eleições de outubro.

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