Juros caem, apesar de fala de Dilma sobre inflação

Taxas repercutem incertezas externas e aguardam a ata da última reunião do Copom, que sai na quinta-feira

Márcio Rodrigues, da Agência Estado,

23 de abril de 2013 | 16h41

As taxas futuras de juros tiveram mais um pregão de leve queda, com o mercado repercutindo as incertezas externas e à espera da ata da última reunião do Comitê de Política Monetária (Copom), na quinta-feira, 25. As declarações da presidente Dilma Roussef, de que "não negocia nem flerta com inflação" e de que em hipótese alguma dará base para qualquer especulação que se faça sobre o assunto, chegou a colocar as taxas nas máximas, mas o comportamento foi se diluindo ao longo do pregão. Segundo operadores, a fala da presidente não muda a percepção de que o Banco Central será gradual no aperto monetário.

Ao término da negociação normal na BM&F, o contrato de DI com vencimento em julho de 2013 (126.735 contratos) marcava 7,39%, de 7,40% no ajuste anterior. O DI com vencimento em janeiro de 2014 (609.795 contratos) apontava máxima de 7,81%, de 7,82% no ajuste. O juro com vencimento em janeiro de 2015 (263.890 contratos) indicava 8,25%, de 8,29% antes. O contrato com vencimento em janeiro de 2017 (216.505 contratos) marcava 8,87%, ante 8,89% na véspera, e o DI para janeiro de 2021 (19.085 contratos) estava na máxima de 9,50%, ante 9,51% no ajuste.

"A maioria do mercado, por enquanto, segue convicta de que o Banco Central subirá a Selic de 0,25 ponto em 0,25 ponto. Por isso, continua se ajustando para esse cenário", afirmou o sócio gestor da Leme Investimentos, Paulo Petrassi. Um outro operador frisou que as palavras de Dilma Rousseff não mudaram essa percepção. "Os investidores preferem esperar pela ata mesmo", pontuou.

As medidas anunciadas hoje para o setor de etanol, incluindo desonerações, crédito e aumento da mistura na gasolina, também não tiveram grande impacto sobre o mercado de juros e as perspectivas para a inflação. O ministro da Fazenda, Guido Mantega, disse que a redução de tributos "só pode ajudar a diminuir inflação, e não elevá-la. Isso e o incentivo aos investimentos são elementos que beneficiam a contenção da inflação". "Ambos são anti-inflacionários", argumentou.

Mas segundo a economista da Tendências Consultoria Integrada Alessandra Ribeiro, pode ser possível uma redução de apenas 1% no preço do etanol, o que significaria um impacto positivo de 0,01 ponto porcentual no Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA).

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